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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Feliz Dia do Orgulho Urso

Existe um grupo dentro da comunidade gay que questiona os padrões de beleza masculina, o estilo de vida e a subcultura predominantes na comunidade gay (e até fora dela). São os Ursos. Eles são a resistência à normas que ditam que a beleza masculina reside apenas em corpos magros/musculosos e lisos (sem pelos).

Existem várias categorias de ursos. A saber:

  • Urso - um homem com barba ou cavanhaque, de peito e corpo peludo e corpulento; frequentemente adulto (ou com a aparência de mais velho).
  • Filhote ou Cub - um jovem (ou com aparência jovem) com alguns (ou todos, excetuando a idade) dos atributos que caracterizam os ursos, ou jovens que gostem de Ursos.
  • Lontra - um homem que é geralmente peludo e possui barba, mas que não é corpulento ou largo (um homem mais próximo do magro). Normalmente tem grande estatura.
  • Behr - São os que não têm algumas das características físicas tradicionais de um Urso mas que se identifica como tal. (Podem ter poucos pêlos ou ter apenas bigode).
  • Bruin ou Muscle Bear - Urso com constituição atlética (corpo volumoso por conta dos músculos), e que pode praticar esportes de contato físico.
  • Koala Bear ou apenas Koala - Urso com o cabelo e pêlo louros.
  • Pocket Bear - Ursos de pequena estatura, geralmente abaixo de 1,70m.
  • Polar Bear ou Urso Polar - Ursos mais velhos que têm o cabelo e pêlo corporal branco ou grisalho.
  • Hirsute - Urso com uma quantidade excepcional de pêlo corporal.
  • Ursófilo, Admirador, Chaser ou Caçador - termos que se referem àqueles que não são ursos, filhotes ou lontras, mas são sexualmente ou emocionalmente atraídos por eles.

Como em toda a comunidade LGBT, existe muita homofobia internalizada também na comunidade ursina e alguns ursos dão muita importância para a aparência hiper-masculina, evitando se aproximar de pessoas que não se encaixem neste estereótipo hiper-masculinizado e tratando-as até mesmo com desdém. Apesar disso, existem muitos ursos "efeminados" e ursos que superaram esta discriminação cruel contra pessoas efeminadas, sendo que alguns inclusive lutam por uma comunidade ursina mais fraterna e inclusiva.

A todos os os Ursos que combatem qualquer tipo de discriminação, fica o meu desejo de Feliz Dia do Orgulho Urso!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sobre o teste do gaydar do "Põe na Roda"

Antes de continuar a ler esse post, veja o vídeo a seguir sobre "gaydar" que o canal "Põe na roda" publicou:



Vídeo visto, vamos às minhas considerações:
1) Meu gaydar NUNCA funcionou e me sinto "absolvido" após ver esse vídeo...
2) Monossexismo manda lembranças: como assim gay OU hetero? Não pode ser bi não? Sério que para a maioria das pessoas só existem duas sexualidades possíveis? Cadê as outras "cores" desse arco-íris? A vida é só preto e branco? Não existem bissexuais, assexuais, demissexuais e afins? Outro dia briguei feio com um amigo que falou que o movimento LGBT brasileiro  tem que se envolver em outras lutas e já pode dispensar as Paradas do Orgulho LGBT, porque já temos visibilidade. Temos quem, cara pálida? A possibilidade de uma pessoa ser bissexual não foi sequer pensada... Quando é que teremos a tal da "visibilidade"? Um movimento em que só gays têm visibilidade é um movimento GGGG, né?
3) A proposta é bacana, porque desconstrói estereótipos (inclusive o da existência do tal "gaydar"). E isso me leva a pensar que hoje temos mais formas de expressão das identidades de gênero e das sexualidades (o que é um bom golpe no machismo e na homofobia). Contudo, ainda há muito o que fazer...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Travestchy e orientação sexual não é bagunça!!

Já aviso de antemão: o texto é longo e polêmico. Vai ter gente me jurando de morte depois de ler isso, mas creio que vale a pena!

Através do site Superpride, fiquei sabendo da existência de "novas orientações sexuais", como os G0ys e os Highsexuais. Quando surgiu isso tudo aí, fiquei me questionando: ok que o que a pessoa sente é muito mais determinante do que a opinião externa para se definir a própria orientação sexual. Mas eu também questiono que, para efeitos práticos, vivemos numa sociedade que reprime orientações sexuais que não sejam a heterossexualidade.

Assim, como inferir se a orientação sexual declarada condiz com a realidade interna da pessoa ou se aquilo não é apenas manifestação de uma repressão que foi internalizada? Essa diferenciação pode ser extremamente importante, por exemplo, para que um psicólogo consiga ajudar um paciente a resolver conflitos que estejam ligados à orientação sexual da pessoa (i.e. autossabotagens cuja raiz são a homofobia internalizada). Logo, nem todo questionamento a respeito de uma sexualidade é deslegitimação/silenciamento (desde que, obviamente, o questionamento tenha o compromisso com o máximo de respeito possível). Entendo que os conceitos de orientação sexual são muito limitados, principalmente por serem associados, na maioria das vezes, a um sistema binário de gênero. Mas algumas orientações sexuais que surgem na mídia parecem tão vazias de coerência que me fazem questionar a existência real delas.

Isso me leva a raiz: como definimos uma orientação sexual? Por ser um comportamento humano, eu, como um biólogo, acredito que deve ser considerado três fatores, principalmente, quando se trata da expressão de uma orientação sexual: os biológicos, os culturais e os psicológicos. Já adianto que minha visão não é nem de longe determinista, mas próxima de um discurso biológico pós moderno que reconhece a interação de diversos fatores entre si.

Por fatores biológicos, quero dizer a existência (ou não) de uma necessidade fisiológica de satisfação sexual. Temos diversos tipos de necessidades fisiológicas como, por exemplo, de ingerir substâncias químicas das quais nosso corpo necessita (e, dependendo do alvo do desejo, damos nomes diferentes a estas necessidades - sede, para quando o corpo clama por água e fome para quando o corpo deseja outros tipos de nutrientes). É importante perceber que esses são nomes de referência para nossas necessidades fisiológicas, pois a fome pode se manifestar por uma vontade de comer alguns tipos específicos de comida ("não gostaria de fazer um lanche: estou com fome de comida de casa, tipo arroz com feijão e coisas semelhantes"...), de maneira que existem várias "fomes", várias "sedes", vários "sonos"... Se alguém tenta "enganar o próprio corpo" enchendo o estômago de outras substâncias químicas (tipo as pessoas que bebem água pra gerar a sensação de saciedade para a fome), ela não satisfaz a necessidade fisiológica que originou o desejo. Este, certamente, voltará com mais intensidade num futuro. Fisiologicamente, podemos dizer que a necessidade de satisfação do desejo sexual funciona de forma análoga ao que eu relatei acima a respeito das substâncias químicas de que necessitamos para nos manter vivos. Para não tornar isso aqui mais extenso, não vou entrar no mérito de que cada corpo tem uma fisiologia única (ou seja, funcionamos bioquimicamente diferentes uns dos outros, apesar de um padrão comum à nossa espécie - o que explica reações diferentes em cada indivíduo para um mesmo remédio, por exemplo), e de que pode haver uma influência genética (ou epigenética) na sexualidade humana, além de outros fatores biológicos que geram ainda hoje pesquisas sobre o tema. Apenas citarei isso e, num futuro, pode ser que eu resolva fazer um post pra destrinchar melhor o que eu penso sobre isso.

Contudo, existe os fatores culturais que modelam a forma como satisfazemos esse desejo (é importante lembrar que inclui-se na cultura a educação formal, a educação informal e a educação não-formal, dentre outros fatores). Um exemplo de como a cultura interfere nas maneiras que temos para satisfazer nossa necessidade fisiológica de nutrientes é que um tipo de alimento muito popular numa determinada cultura pode ser considerado repulsivo ou mesmo não ser percebido como alimento em outras culturas (no sudeste asiático, baratas, aranhas, escorpiões, grilos, formigas, bichos da seda e outros artrópodes são vendidos como comida em barracas de espetinhos, coisa inimaginável na cultura brasileira). Podemos usar esse exemplo para compreender metaforicamente, como a cultura tem influência sobre a orientação sexual. A cultura nos cria padrões do que é ou do que não é considerado atraente e isso delimita como podem ser expressas as sexualidades humanas.

Somado à cultura e aos fatores biológicos e culturais, existe também os fatores psicológicos envolvidos na formação da sexualidade humana. A trajetória pessoal de cada indivíduo que pode reforçar ou suprimir determinadas tendências comportamentais, na medida que cada experiência interage com as imagens mentais e com os modelos mentais do indivíduo. Quero deixar claro que, quando digo isso, não estou pensando num sentido estritamente ligado ao conceito do Behaviorismo, mas algo mais próximo da Psicologia Cognitiva. Considerando que imagens mentais e modelos mentais são formulados a partir da vivência dos indivíduos, a trajetória pessoal pode contribuir para moldar tendências comportamentais, incluindo aí a forma como o indivíduo lida com o próprio desejo sexual.

Antes que me acusem de abrir precedentes para métodos que pretendam interferir na sexualidade das pessoas, vale salientar que a construção da sexualidade é um processo que inclui muitas variáveis e que a maioria delas é muito difícil de controlar, de forma que podemos considerar impossível querer intervir no processo de formação da sexualidade humana e conseguir o êxito em conduzi-la a um caminho previamente desejado por quem pretende interferir, sem que se produzam "sequelas" ou "resultados não-funcionais". Aliás, pode-se também considerar que as interferências intencionais na sexualidade humana não são capazes de alterar o que seria seu "destino natural".

Dessa forma, existe a possibilidade de o indivíduo ter uma tendência biológica, psicológica e cultural que o deixaria susceptível a vivenciar determinada orientação sexual, mas por alguns fatores de sua trajetória pessoal de vida, ele escolhe não viver (ou seja, o que chamamos de alguém "enrustido"). Neste caso, teríamos uma "orientação sexual potencial" (que foi reprimida por um fator psicológico e/ou cultural) e uma "orientação sexual declarada" (que é aquela que o indivíduo diz sobre si), sendo que das duas emergem de um conflito psicológico no qual o indivíduo não consegue, em muitas das vezes, se enxergar em sua totalidade. Na minha modesta opinião, G0ys e os Highsexuais são exemplos deste último caso. Parece haver um "malabarismo de argumentação" para justificar um distanciamento de uma orientação homossexual ou bissexual, na medida em que se observa inconsistências argumentativas.

Creio que G0ys e os Highsexuais são exemplos de inconsistência na definição de o que é uma orientação sexual, pois, para início de conversa, só abarcam em suas definições um dos gêneros. Uma pessoa homossexual, heterossexual, bissexual, demissexual ou assexual pode pertencer a qualquer gênero. Mas só pode ser g0y, por exemplo, quem for "homem" com "jeito de homem", que não curta penetração anal e que não se identifique como gay, nem tenha nada que remeta ao feminino. Assim, o termo g0y seria mais uma demonstração de machismo e homofobia que propriamente uma orientação sexual. Importante lembrar também que a questão de não haver sexo com penetração anal não define uma orientação sexual, pois está mais ligada à preferência de determinadas práticas sexuais - e homossexuais, bissexuais, heterossexuais e demissexuais podem ou não gostar de determinadas práticas (por exemplo, alguns pessoas gostam de penetração, enquanto existe os que dispensam qualquer tipo de penetração - e isso vale para qualquer uma das orientações sexuais "clássicas"). Para os Highsexuais, além da crítica de que apenas homens se declaram "highsexuais", vale pensar se não é o caso no qual muita homofobia internalizada pode reprimir os desejos pessoais e que, com o uso da droga, a mente da pessoa consegue se livrar mais facilmente da autorrepressão, em semelhança do efeito já conhecido do álcool. Além disso, se dlecarar Highsexual expressa todo um apagamento da bissexualidade, como sintoma de uma bifobia internalizada (pois, em nossa sociedade monossexista, a maioria dos heteros condenaria os bissexuais por terem relações com pessoas do mesmo gênero e a maioria dos homossexuais condenaria os bissexuais por terem relações com pessoas de outro gênero ou por julgá-los como enrustidos, indecisos, etc.). Em todo o momento em que se fez piada sobre o termo "Highsexuais", ninguém cogitou a possibilidade da descoberta de uma possível bissexualidade, dada a influência de um pensamento monossexista de que não existem pessoas que possam se sentir atraídas por mais de um gênero.

Com esta postagem, assim como no texto em que faço uma revisão teórica das limitações das categorias que temos para as orientações sexuais humanas, não quero invalidar a experiência alheia ou mesmo dar a palavra final sobre um assunto tão polêmico. Gostaria apenas de sugerir que, como temos uma necessidade humana de criar nomes para compreender as coisas e que esses nomes são referências genéricas, que criemos todos os nomes necessários (os tais rótulos). Mas que mantenhamos a cautela para não criar tantos nomes que, ao invés de facilitar a nossa compreensão do mundo, torne a nossa comunicação extremamente confusa. E, para encontrar o equilíbrio necessário, sugiro o questionamento respeitoso e a abertura também respeitosa para receber as respostas à crítica feita.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Não é preconceito: é só meu gosto!

Tenho em meus círculos sociais um cara, que chamarei aqui de Narcisista Iludido, que reclama de estar solteiro e que as pessoas o procuram somente para sexo. Contudo ele é um cara daqueles que faz academia, utiliza anabolizantes e posta foto sem camisa no Instagram/Facebook com mensagens de reflexão na legenda da foto. Obviamente, o povo curte não a mensagem, mas a foto e o que ele consegue com essa postura é mais convites para sexo do que necessariamente alguém interessado em namorá-lo. Mas, para piorar, quando ele recebe uma interação que demonstre um interesse em um relacionamento mais duradouro, o Narcisista Iludido repete aquele discurso tão difundido de "não sou e não curto efeminados". Se alguém o acusa de preconceito, ele se defende dizendo que não sente tesão por pessoas efeminadas e que um relacionamento sem tesão não daria certo. E que, portanto, é uma questão só de gosto e não de preconceito!

E ele não está sozinho! "Não é preconceito: é só meu gosto!" é uma das frases mais usadas por quem diz que "não é nem curte efeminados", quando são confrontados por alguém que diz que seu gosto reflete um preconceito e uma discriminação.

O problema é que pessoas que dizem isso nunca questionaram a grande "coincidência" desse ser um tipo de gosto tão comum no universo gay em que vivemos. Tomo por base as ocasiões em que eu afirmo me sentir atraído fortemente por homens efeminados: em geral, a simples revelação do meu gosto pessoal choca o ouvinte que, geralmente, discorda de mim e acha "muito feio" ou "esquisito" essa galera efeminada linda do meu Brasil. Por que existe uma esmagadora maioria com gosto semelhante e apenas alguns "divergentes" da norma? Por que a fala de alguém que aprecia efeminados gera uma reação de choque na maioria dos ouvintes? Eu só consigo ver uma explicação: um preconceito chamado de homofobia!

Mais uma vez, eu gostaria de quebrar essa associação maluca que as pessoas têm de que uma pessoa homofóbica, racista ou que tenha qualquer outro tipo de preconceito discriminatório é uma pessoa má, que faz aquilo de forma consciente. Não! A vida prática é diferente das novelas e uma pessoa nunca é só boa ou só má. Nós somos mais complexos que isso! Na maioria dos casos, a pessoa está tão imersa na nossa cultura racista/machista/homofóbica/whatever que não consegue ver que ela reproduz um absurdo (tanto que aquilo lhe soa como algo "natural").

É preciso que a gente entenda: o tal do gosto é uma mistura da nossa individualidade, da nossa trajetória pessoal e de uma bagagem cultural que recebemos. E a cultura influencia MUITO em nossos gostos pessoais! Não acredita? Bem, talvez seja interessante pensar em como os padrões de beleza se alteraram ao longo da história acompanhando as mudanças culturais de cada época. Ou pensar nos padrões de beleza em culturas diferentes da nossa e perceber que os nossos modelos de beleza seriam considerados feios em tais culturas.

Outra coisa: por que a necessidade de se afirmar "não efeminado"? Qual a raiz disso? Homofobia internalizada, óbvio! O Narcisista Iludido é desses que fica preocupado se está "rebolando demais", se está "agindo de forma muito efeminada"... Uma neurose sem fim! Se afastar do modelo de feminino e se aproximar do modelo de masculino, na maioria das vezes, reflete a homofobia internalizada e nada mais que isso. É tão claro isso que não sei como deixar mais óbvio!

Porém, mesmo tendo uma ligeira noção de que padrões de beleza são moldados por ideologias sociais vigentes, ainda tem muita gente que continua a repetir a frase "não sou, nem curto efeminados" como um mantra a ser perpetuado, afinal é só gosto! Não, galera! Não é só gosto! Um gosto nunca é "só gosto". Se não fosse a nossa sociedade machista/racista/homofóbica ditando um padrão do que é ser um "homem" e o que é ser uma "mulher", talvez o nosso padrão de homem atraente (e até mesmo o de mulher atraente) fosse bem diferente do que é hoje...

Na prática, esse tipo de discriminação preconceituosa é ruim para ambos os lados. Os alvos da discriminação (efeminados) perdem com um diminuto número de pretendentes a ter qualquer tipo de relação amorosa/sexual. Mas também perde quem discrimina, pois o seu preconceito limita suas possibilidades de conhecer alguém interessante e que se tenha uma afinidade/compatibilidade para qualquer tipo de relação amorosa/sexual.

Mas, o que fazer se alguém percebe que o próprio preconceito o limita? Bom, assumir o próprio preconceito já é um importante passo. Reconhecendo a existência dele em si mesmo permite que a gente lide melhor com a situação, na medida em que gera a possibilidade de escolha entre combater o próprio preconceito internalizado ou aceitar as consequências de ter uma vida limitada pelo próprio preconceito.

Quem escolhe a primeira opção, além de ter a chance de fazer um grande bem para si, demonstra grande solidariedade ao combater um preconceito que é muito mais danoso ao outro que a si mesmo. Quem escolhe a segunda opção, além de amargar a perda de novas possibilidades, deve, no mínimo, se policiar para impedir a externalização daquele preconceito (o que geraria mais uma fonte de um modelo discriminatório/homofóbico que tanto mal faz aos outros - e a si mesmo também).

Combater a possibilidade única imposta pela sociedade é respeitar outras pessoas e expandir o nosso próprio universo.


Homem atraente (= tatuagem no rosto) na cultura da tribo dos maoris (Nova Zelândia - Oceania)
Mulher atraente (= pescoço longo) na cultura da tribo dos karenis (Mianmar - Ásia)




Homem atraente (= lábios alongados por um disco) na cultura da tribo dos botocudos (Brasil - América)


Mulher atraente (= ter cicatrizes) na cultura da tribo dos karo (Etiópia - África)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Parada gay de um povo imoral e despolitizado

Dia 29 de Setembro aconteceu a Parada LGBT de BH. Infelizmente não deu pra eu ir, pois estava passando mal. Conversando com um amigo, ele disse que também não foi e nem gostaria de ir, porque acha que a parada só atrapalha o movimento e "perdeu seu caráter de contestação política".

Pra mim, esse pessoal que critica as Paradas LGBTs, dizendo que são imorais e que acontece um monte de coisa terrível lá devem se ater a fontes como as dessa notícia, que contam uma história parcial, selecionando apenas o que acontece de ruim em um evento. Daí, a maioria das pessoas pensa que o evento inteiro é formado por um bando de monstros.

Mas, sabe?? Todo lugar onde houver seres humanos, vamos encontrar transgressores. Alguns deles estão recheados de bons motivos para transgredirem opressões injustificadas. Mas outros são apenas pessoas sem noção de convivência em sociedade...

Porém também não vejo problema nas pessoas ficarem "se pegando". No carnaval, héteros fazem a mesma coisa. Acho muito moralismo querer criticar pessoas que decidem manifestar seus instintos e desejos. Por acaso alguém que afronta esse puritanismo é necessariamente pouco engajada com as causas políticas?

Sei lá. Sinto que nesse discurso existe uma barganha na tentativa de ganhar direitos. É como se a maioria opressora exigisse gays "mais comportados", que escondam sua manifestação de desejo/afetividade para que estes possam ter os mesmos direitos que ela já tem. E o que estes heteros opressores fizeram para ganhar estes mesmos direitos? Nada? Então porque somente nós temos que pagar um preço por isso?

Não estou dizendo que todos os gays sejam adeptos da pegação nas paradas, nem que todos concordem com a moralidade de tal ato, mas penso que condenar quem partilha das mesmas ideias é como extirpar a individualidade, o que fatalmente vai contra algo pelo que lutamos: o respeito à diversidade.

Contudo tenho de concordar que a maioria dos frequentadores das Paradas brasileiras não são tão conscientes politicamente falando. Mas isso não é uma questão que atinge apenas o público LGBT. O problema é que o povo brasileiro em geral não se mostra engajado na política. Esperar que os gays estivessem drasticamente distantes dessa realidade seria ignorar que os gays vivem imersos nessa mesma cultura que nos faz um país que pouco valoriza a educação, a cultura e coisas do gênero.

Ou seja: o engajamento político do gay brasileiro (e do brasileiro em geral) é uma luta com muito mais nuances do que a gente imagina...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Rapidinhas para o feriado

Pra você que está com preguiça de ler posts "filosóficos" neste feriado, resolvi fazer um bem mais leve, dividido em duas partes. Aproveite!



Tá se preparando pra quando G-zuis ressuscitar? Pois domingo dia 08 vai rolar até concurso usando o seu santo nome. Trata-se do "Hunky Jesus Contest", um concurso que elege o "cover" de G-zuis mais "bonitão" e/ou com mais "atitude". O evento acontece em São Francisco (EUA) e é promovido há 33 anos (que número mais propício, não?) por um grupo gay radical chamado The Sisters of Perpetual Indulgence (As Irmãs Perpétuas da Indulgência). O grupo, que tem adeptos em várias partes do mundo, é composto por homens maquiados e vestidos de freiras.

Polêmico, o concurso desperta a ira de muitos religiosos e até de alguns ativistas LGBTs. Porém, o grupo afirma que tudo não passa de uma brincadeira.

Na minha singela opinião, alguns dos participantes são tão carismáticos (ou só gostosos mesmos) que arrisco a dizer que Pedro não os negaria uma quarta vez! rs. Meu preferido da edição do ano passado (2011) é o que aparece aos 4:48 do vídeo abaixo:


Pena que estou amarrado, mas não é em nome de G-zuis...



Estava dando uma olhada no site da Campanha pelo Casamento Civil Igualitário e, na seção intitulada "opinião" na qual há várias citações de pessoas importantes que apoiam o casamento de pessoas do mesmo sexo, li a seguinte fala do jornalista e escritor argentino Osvaldo Bazán:

"A criança judia sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais judeus lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe dizem por que essa noite não é como todas as noites, e contam para ele a história daquela vez em que tiveram que sair correndo e o pão não levou. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança judia que não está sozinha. A criança negra sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais negros lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe falam do berço da humanidade, de um barco, de uma guerra. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança negra que não está sozinha. A criança homossexual sofre a estupidez do mundo e nem pensa em falar com os pais, porque supõe que eles vão ficar chateados. Não sabe por quê, mas eles vão se chatear. E para seus pais, o pior é crer que seu filho não é como eles (…). A criança homossexual, só por ter nascido homossexual, só por ter sido parida em território inimigo, está em guerra com a religião, com a ciência e com o Estado. Como poderá uma criança enfrentar uma luta tão desigual?"

Sabe quando você não tem o que completar? Acho que foi a vez em que vi a melhor descrição sobre a crueldade e o abandono a que a criança gay está submetida no seio de uma família (e sociedade) homofóbica.

Mas, se você é uma criança gay e está lendo isso aqui, digo pra você não desanimar com a crueldade: eu nunca senti com tanta clareza que estamos tão próximos de sermos uma sociedade menos injusta. Estamos juntos no mesmo barco e eu acredito que a tempestade vai passar!

EDIT: Confira o post seguinte, que tem um pedido de desculpas a esse post.


EDIT 2: Antes de sair esbravejando por aí e para entender melhor minha opinião, veja o terceiro post dessa sequência aqui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Há motivos pra um gay pensar no futuro do planeta?


Hoje fui ao supermercado e comprei uma daquelas sacolas retornáveis. Tava afim de comprar uma há um tempão, afinal sinto que consumo muitas sacolas plásticas a cada compra e a gente tem que pensar num mundo melhor no futuro. Eu disse que "a gente TEM"?

Lembrei que eu estava conversando com um colega meu há alguns dias, daí ele me fala:

- Pára com essa mania! Pra que pensar no futuro do planeta, nas próximas gerações? Bobagem...

Na hora fiquei sem reação. O que argumentar com ele? Pra mim, há um motivo realmente claro em pensar a longo prazo: eu quero ter filhos! Porém, esse não é o caso dele. Aliás, ele detesta crianças. Ele costuma a dizer que mesmo as crianças de hoje que serão os gays do futuro não lhe interessam. Segundo ele, até elas crescerem ele já será velho demais e nem ele nem elas terão interesse recíprocos...

Então como argumentar com aqueles gays (muitos, aliás) ou mesmo heteros que não sonham em ter filhos? Que não planejam adotar ou ter crianças em sua família? Que motivos teriam pra pensar no futuro?

No blog Sexo (gay) e a cidade (pequena), um post me fez pensar na questão do futuro pra quem não tem mais planos do que simplesmente viver(Aliás, por que esse blog está parado??). Existem motivos para pensar diferente?

Ok. Não pensar no futuro da humanidade seria uma visão egoísta e reprovável perante os olhos das outras pessoas. Mas é só por isso que devemos pensar nos outros?

Eu respondo: só isso? Isso já é demais! Estamos falando de ética. Agir, não por um interesse, mas por um ideal. O quanto de ética existe na atitude diária de cada um? Ideais existem no mundo de hoje?

As vezes, sinto que as pessoas de hoje não se movem por um ideal ou pela ética. É difícil falar a mesma língua porque os valores não são os mesmos. Vejo muitos gays que se contentam com um mundinho de balada, pegação, drogas e não muito mais que isso. E aí me sinto mais fora desse mundo. Não quero pão e circo, eu quero muito mais! E não só pra mim, mas para os outros também! Afinal, sou um idealista nato!

Resta a esperança dos versos da canção "Travessuras" do Oswaldo Montenegro: "Nossa geração não quer sonhar / Pois que sonhe a que há de vir".

sábado, 21 de agosto de 2010

Pra se divertir um pouco...

Todo mundo precisa de um pouco de diversão e humor, né? Então segue uns vídeos temáticos (!) para o nosso deleite.

O primeiro é quase uma homenagem à cultura gay:



O segundo é um que acabei de achar. É uma paródia ao famoso vídeo "Tapa na Pantera":



E esse é uma versão remix (muito boa, aliás) do vídeo anterior:



Esse é o tipo de humor que não é ofensivo, beeeeem diferente de como se retrata o universo gay por aí...

Bom, é isso! Até mais!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Precisamos de um ícone?



A pergunta do título pode ser pensada à luz da psicologia, com a idéia de projeção. Todo mundo busca de alguma forma alguém em que se possa ver (projetar) o que somos ou o que gostaríamos de ser. É natural do ser humano. E isso acaba refletindo no quanto nos afinizamos pela pessoa que representa essa projeção.

Ontem, estava vendo o programa "Qual é o seu talento?" do SBT e aconteceu algo nesse sentido quando vi o candidato Thiago Oliver (confira o vídeo acima). Ele conquistou minha simpatia de imediato.

Tudo bem, o cara tem talento e carisma, é bonito, são fatos notáveis e que influenciam. Mas acho que rolou também uma forte identificação com o universo gay que ele representou.

E olha que não foi aquela caricatura que nós estamos acostumados a ver do universo gay cantando. Nada de maquiagem de drag, figurino exótico, pose feminina demais. Aliás, nada contra esse tipo (inclusive adoooooro! rs...). Só quero dizer que ele não colaborou para reforçar a imagem que é colocada, para as pessoas em geral, como sendo a única possibilidade de ser um cara que gosta de outros caras.

Em resumo, penso que ele simbolizou os gays "invisíveis" aos olhos da sociedade. Aqueles que não se denunciam de imediato porque não são tão efeminados, mas que podem ter até uns certos trejeitos como quando ele começou sua dança. ;) E que não estão se comportando assim porque estão se escondendo. Só estão sendo eles mesmos.

Penso que eu não iria gostar tanto dele (ou achar que ele foi esse fenômeno todo) se não houvesse rolado essa identificação. Isso me fez reforçar uma teoria que tenho de que nós, que sofremos esse preconceito pela nossa orientação sexual, somos carentes de personalidades que nos representem perante o público das mídias em geral.

Seja pelas músicas, seja pela coreografia, o Thiago Oliver foi a representação do universo gay sendo aceito pela plateia, pelos jurados... Pelas pessoas enfim! A maioria dos gays que a gente vê representados na mídia são apenas motivo de piadas de programas de humor de quinta categoria, ou servem para dar um ar mais "divertido" aos programas de auditório, ou são representados como os sofredores marcados pelo preconceito.

Não sei se ele é gay ou não, apesar de eu desconfiar que sim. O fato é que, pelo pouco que pude ver nos comentários pela intenet, acima do artista, Thiago Oliver tornou-se (ainda que não fosse a intenção dele) um dos símbolos do gay que venceu, não só uma classificação de um programa de talentos, mas os preconceitos que poderiam existir ao seu redor e lhe tolher o direito de ser quem ele é integralmente.
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