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terça-feira, 12 de maio de 2015

Planos não concretizados


"Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher"
O trecho acima é da música 3x4 dos Engenheiros do Hawaii e simboliza bem como me sinto agora.

Tenho tantos planos... Alguns dependem de conquistas prévias (passar num concurso, conseguir juntar uma grana pra fazer investimento, convencer Maridão, arrumar pessoas que topem fazer parcerias que podem render frutos interessantes, fazer algum curso para aprender mais sobre o assunto e/ou ter um certificado que "pese" num momento de atuação profissional...). Outros só vão dar um baita dum trabalho mesmo pra se concretizar o que eu quero! Daí que essas dificuldades se somam às minhas autossabotagens e muitos desses planos não são concretizados.

Nunca tive tantos planos não concretizados como agora. Gostaria/precisaria fazer tanta coisa, mas não posso. Não tenho condições... É tão frustante se ver como uma sombra pálida do que eu poderia ser. Vou fazendo o que posso, ao poucos, a passos de formiga. Contudo, ficou imaginando que quando eu finalmente tiver alcançado condições para realizar meus planos, talvez já não tenha vitalidade (leia-se por conta da idade) para realizá-los.

Para piorar a situação, problemas vão surgindo ao longo do caminho e que vão tornando a jornada mais difícil e pouco provável de chegar próximo ao desfecho desejado. Sinto-me tirando água de um barco furado usando um copo ou próximo de ser soterrado embaixo de uma avalanche de dificuldades. Ou como meu pai diz: lutando muito para perder de pouco...

E assim a vida segue, enquanto eu corro atrás...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Almoço de aniversário

Nesse processo de reconstrução das minhas relações familiares, tenho visitado com mais frequência a casa dos meus pais. Tenho buscado construir no presente bons momentos, boas memórias para um futuro, tudo com a intenção que isso se torne um bom remédio contra as mágoas que carrego.

Numa dessas visitas, eu estava na casa dos meus pais a uma semana do meu aniversário. Como eu não sou uma pessoa muito ligada à comemoração desta data, nem me lembrava de sua proximidade e, por isso, não entendi porque minha mãe havia acabado de me perguntar o que eu faria no final de semana seguinte. Ela me propôs fazer um almoço especial, em família. Aceitei a ideia.

Contudo, durante a semana, me empolguei com a ideia e resolvi comemorar meu aniversário contando com a presença de alguns amigos mais próximos, além da minha família. Fiz isso com uma intenção em mente: reaproximar a minha família do meu mundo.

Foi bacana ver minha família recebendo alguns dos meus amigos heteros e gays. Foi bom pra meu pai e minha mãe conhecerem "o povo que eu convivo". Foi ótimo pra mim ter um espaço e um momento pra reencontrar o prazer de estar entre pessoas que eu gosto...

O saldo de um evento em família foi positivo, afinal!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Eu e a danadinha da morte

Fala, pessoal!!! Não se preocupem! O post anterior foi ao ar por pura lerdeza minha (falei que era o mais provável??? rsrs). Tô bem, tô vivo e ainda dou um caldo... rsrsrsrs

Espero não ter assustado ninguém. Digo isso porque eu sei que as pessoas têm dificuldade de lidar com a questão da morte e qualquer notícia ou conversação que toque neste tema causa arrepios em muitos. Contudo, para mim, este é um assunto sempre presente com o qual eu creio lidar relativamente bem.

E quando eu digo que a morte é um assunto presente na minha vida, não é porque trabalho numa funerária não. Eu acho que já mencionei isso aqui, mas se não o fiz, faço agora: faz alguns anos que eu luto contra uma depressão crônica, que já esteve muito pior do que ela está agora. E uma das coisas mais complicadas de lidar nessa luta diária são os pensamentos de morte.

Eles já foram bem mais frequentes (no nível de, pelo menos, 12 por dia), mas hoje estão não só menos frequentes (uns 8 por semana), como também menos intensos. Não consigo perceber uma motivação única para o surgimento de tais pensamentos surgirem em minha mente que não seja uma baixa tolerância a fracassos, fruto de uma cobrança excessiva que eu faço comigo mesmo. É como se eu não me julgasse digno (perfeito) o suficiente para continuar vivendo ou que seria preferível que eu morresse a não dar conta de fazer tudo em minha vida de forma irretocável. Assim, admitir que algo está errado em minha vida (ou que alguma atitude minha não foi acertada) é para mim um grande sofrimento. Até mesmo admitir que não estou satisfeito com algo me faz com que eu me sinta mal, pois eu me culpo por não conseguir garantir a mim 100% de felicidade e satisfação.

Neste momento do texto, já deve ter leitor achando que é frescura e que eu preciso de um choque de realidade, enxergando que há muitas pessoas com motivações mais fortes que as minhas para desejar a morte. O fato é que saber que além do meu sofrimento há sofrimentos piores nesse mundo não me deixa mais feliz e sim ainda mais angustiado. É como se a dor dos outros amplificasse a minha própria por conseguir me mostrar que seria necessária uma força muito grande para mudar tudo aquilo que causa sofrimento às pessoas. E que, certas coisas não estão sob meu controle. E não há nada pior para um perfeccionista que não ter tudo sob o seu controle.

Existe também uma causa orgânica já detectada nesta depressão que me aflige (e, por consequência, na manifestação de pensamentos de morte). Assim, a medicação é essencial e não basta somente eu "querer mudar" pra resolver esta questão. Aliás, ouvir cobranças assim é algo que me deixa ainda pior porque as cobranças internas são a principal causa do meu sofrimento e não existe ninguém que queira mais sair desse sofrimento do que eu.

A maneira que eu escolhi para lidar com tudo isso é tentar valorizar minhas conquistas, mesmo que pequenas. Preencher meus momentos com pequenos prazeres e trazer para a minha vida boas companhias me ajuda também a tirar o foco dessa cobrança por um sucesso a todo movimento meu, já que aplaca um pouco essa sede de sabor para essa vida insossa de todos nós.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Um perfil para mim

Já falei sobre meu amplo gosto relacionado a mulheres e homens, mas foquei no aspecto físico. Hoje, arrisco-me a falar sobre um perfil psicológico que me atrai. Sim, isso mesmo: eu disse um perfil. Somente um. O único que tem uma força de conquista mais avassaladora sobre mim. Perto dele, os outros perfis que me atraem são meros coadjuvantes...

Concluí que, inconscientemente, gosto do estilo "pessoa brilhante, mas com um probleminha"... (Meu masoquismo mandou beijos agora!)

Falo de gente que parece forte e bem resolvida, aquelas pessoas que se destacam, mas quando se conhece com mais atenção, são complicadas e problemáticas. Cheguei a essa conclusão analisando as semelhanças entre meus ex-namorados e minhas ex-namoradas.

Todos eles eram líderes natos, carismáticos, marcantes, muito falantes, inteligentes e articulados. Mas, percebendo-os num exame mais cuidadoso, são pessoas com inúmeras questões mal resolvidas, frágeis emocionalmente, porém com um ego prestes a explodir.

Essa é uma imagem que descreve meus (e minhas) "ex's", grande parte dos meus amigos, meus pais e praticamente todas as pessoas a quem eu tive ou tenho algum apreço. Em última análise, essa é uma imagem que me descreve também.

Ou seja, inconscientemente, eu procuro para conviver gente extremamente complicada como eu! Pra que simplificar a vida, não é? Dá pra entender, Brasil?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Resumo da Ópera

Estive pensando que seria importante contar o que mudou durante a minha ausência por aqui. Ainda não sei como fazê-lo e depois de muito pensar sem chegar a uma decisão, resolvi apenas escrever, sem compromisso de nada. Vou me deixar guiar até o final deste texto e ver o que sai. Muita coisa realmente se modificou em mim e na minha vida, enquanto outras apenas confirmaram que o melhor é ser como são.

Continuo casado com o Maridão, e nisso não sinto que há nada a se modificar. Continuo a descobrir que o amor é construído no dia-a-dia e em cada ação (ou omissão). Maridão não é perfeito, obviamente, nem eu o sou. E não tenho com ele uma pretensão de viver um amor eterno, que isso não existe. Eu apenas concordo com Lô Borges quando diz que "eu só preciso ter você por mais um dia". Acho que é por isso que todo dia eu digo a ele que quero continuar esse casamento. Desta maneira, nada a se alterar nesse aspecto.

Com relação a minha família, talvez aqui eu tenha feito a maior mudança. Eu guardei um rancor e uma mágoa muito grande de cada um deles e, não nego, foi algo muito importante. Sem a força desse ódio, eu nunca sairia do lugar, da minha depressão. Mas não tenho mais a necessidade de cultivar isso em mim. Esses são, agora, sentimentos que só me fazem mal, porque me prendem a uma dor e não me acrescentam nada de positivo. Agora eu consigo ver que, apesar de todo mal que meus pais e meu irmão me fizeram, eu os amo. E o amor deles é algo caro para mim, mesmo que de uma forma torta e equivocada. Não estou dizendo que eles podem voltar a fazer o mal que me faziam ou que eu vou simplesmente esquecer o que eles me fizeram. Estou num processo de perdão, onde quero esquecer a dor que me corrói ainda. Creio que quem mais precisa de perdão nessa história não é ninguém da minha família: sou eu. Eu nunca me perdoei por deixar minha família me machucar. Hoje quero aprender a ter deles o afeto que eu preciso, sem deixar que eles me machuquem. Estou tentando descobrir como fazer isso.

No trabalho mudaram algumas coisas. Continuo trabalhando com Educação, mas muito em breve estarei atuando também na área da Saúde. Decidi que quero mesmo muito ter filhos e que, se for preciso me matar de trabalhar para isso, que assim seja. tudo tem seu preço e sempre preferi pagar caro por algo que quero muito que ser infeliz com uma pechincha.

Durante esse tempo em que estive ausente, me envolvi em atividades de militância numa ONG de defesa dos direitos LGBTs. Foi uma experiência muito bacana. Conheci muita gente e entendi melhor o cenário político/social brasileiro. E uma coisa triste foi ver que pouca gente se dispõe a se envolver. Saí da ONG porque não dava pra conciliar meus planos de vida imediatos com o trabalho voluntário. Além disso, confesso que me senti enormemente angustiado de ver tanta coisa a ser feita e tão poucas pessoas dispostas a ajudar. Infelizmente eu não consigo conviver com essa angústia de forma saudável.

Bom, acho que é isso! É tão difícil fazer uma síntese dos últimos meses, mas creio que consegui. Ainda estou meio "enferrujado" para a escrita, mas daqui a pouco eu retomo jeito. Assim espero!

domingo, 14 de julho de 2013

O retorno de algo novo

Olá, povo! Estava com muita saudades! Resolvi voltar a escrever neste blog, que é muito importante para mim. Parece que tudo aquilo que me afastava daqui se foi.

Tenho muita coisa pra contar, mas não queria fazê-lo antes de dizer o necessário: voltei, obviamente, diferente. Vou deixar a coisa correr mais solta por aqui pra ver se funciona. Nada de tentar manter um ritmo mínimo de postagem, nada de pirar para ler todos os blogs que eu gostaria de ler. Apenas autenticidade.

Outra coisa importante: estou me olhando com outros olhos. Minha autoimagem mudou tanto neste tempo em que estive ausente daqui... Não me considero mais um "Cara Comum". Não estou diluído num todo. Hoje eu me conheço mais, eu me entendo mais, eu me respeito mais. Hoje eu sou o Leão, o rei e súdito de mim mesmo.

;)

domingo, 30 de setembro de 2012

Me revelando pra mim

Uma vez no ensino médio, minha professora de filosofia fez uma dinâmica que me trouxe um resultado curioso. A atividade consistia em afixar nas costas de cada aluno uma folha de papel A4 em branco presa por um pedaço de fita crepe. Todos os outros colegas deveriam escrever nesta folha uma opinião sobre a pessoa que, obviamente, não via o que estava sendo escrito em suas costas. Isso dava a oportunidade de cada um ser o mais sincero possível ao relatar o que pensava sobre o colega porque, ao final, já não dava mais pra saber quem havia escrito o que. A minha folha terminou essa experiência recheada de opiniões contraditórias do tipo "transmite muita alegria", "é uma pessoa muito triste", "muito maduro pra própria idade", "um eterno moleque"...

Lembrei disso porque eu estava lendo o texto do Gato Van de Kamp no qual ele reflete sobre a construção de um dos aspectos de sua identidade e fiquei pensando que fazer o mesmo pra mim é sempre uma missão complexa. O fato é que, sempre que eu tento me definir numa identidade, esbarro na questão de que talvez o que me defina seja a mudança, uma busca.

Eu sou um processo e um filme me retrataria melhor que uma foto. Minha identidade é extremamente dinâmica. A começar pela bissexualidade: quem me conheceu em uma determinada época da vida e me viu namorando uma mulher talvez não imaginaria me ver hoje casado com um homem. E o contrário também já aconteceu. Sou alguém que se entrega de corpo e alma ao momento e, por isso, posso passar uma impressão tão marcante em momentos tão opostos como de uma pessoa símbolo da tristeza ou da alegria.

Essa fluidez confunde um pouco as pessoas, já que eu me permito transitar por caminhos amplos sendo, ainda sim, coerente comigo mesmo e com o que eu sinto e acredito. Quem não acompanha a minha jornada pode não entender quando foi que a história mudou de rumo... Porém, plagiando um mestre, eu não vim pra explicar, eu vim pra confundir!

Outra explicação possível seria a herança do que eu aprendi com meu pai que, como diria Raul Seixas, sempre foi uma metamorfose ambulante. Eu seria, assim, herdeiro de uma busca por si mesmo. Aprendi com ele a tentar me encontrar e percebi, vendo que ele nunca se encontrou, que eu nunca me procurei onde eu sempre estive: dentro de mim. Na verdade, talvez eu nem soubesse o que eu tanto procurava e por isso me afeiçoei tanto por ser um mosaico que me dilui em mim mesmo. Mas creio que isso não se sustentaria nessa fase na qual me sinto tão eu mesmo, tão senhor de mim.

Minha única certeza quando olho a construção da minha identidade é que hoje me enxergo como nunca e sei que sou apenas um cara comum, que gosta de ser comum. Eu sou aquele trilha os próprios passos, querendo aproveitar cada gosto e cada cor de cada momento que se revela. Eu sou aquele que se permite se deixar levar pelo vento, não porque não tem a firmeza de ser o que é, mas porque se sabe pluma e está consciente de que a própria beleza está na liberdade de plainar solto pelo ar, mas sem deixar de exibir as cores que lhes são próprias. Sou um filhote de leão que veio ser rei de si mesmo. Sou um sujeito de sorte, vivendo minhas venturas e desventuras. Sou, hoje, minha própria estrela e minha própria luz.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Somos todos vítimas



Assista o vídeo acima. Ele traz uma fábula que conta uma história que nos ajuda a entender como surgem os paradigmas. E a vida está cheia deles.

Mas por que estou falando disso? No meu post em que eu apresentava meu pai para Blogsville, um comentário do Gato Van de Kamp me fez dar uma resposta curtinha que para o momento servia. A frase foi: "A história da minha família é um amontoado de vítimas".

A questão é que eu não duvido de que, na minha família, sejamos todos vítimas de um contexto. Acontece que algumas vítimas escolheram para si o sofrimento e outras foram, por várias vezes, forçadas pelo bando a nele permanecer como os macacos do experimento.

E é por isso que eu tenho orgulho do meu rancor. Ele é um mal necessário para que eu quebre o círculo vicioso que ainda existe na minha mente de permanecer sob uma ordem doente e sem nenhuma razão lógica de existir. Ele é minha chave para sair dessa gaiola.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Concurso Cultural Rugido de Leão

Conversando com algumas pessoas e durante a minha terapia, pude perceber que ou eu não entendo o conceito de perdão ou ele realmente é uma furada.

Alguém pode me explicar qual é a grande vantagem de, no caso de alguém do nada me dar um soco no nariz, por exemplo, eu me esforçar para compreender a mim mesmo, a pessoa e a situação e tornar esse fato sem importância dentro de mim, quando eu posso, ao invés disso, usar de uma vingança socialmente aceita, mas dolorosa o suficiente para satisfazer a minha sede por sangue?

Envie sua resposta num comentário desta postagem. A melhor resposta ganha uma lambida no cotovelo (previamente higienizado, claro). Mas atenção para as regras: não valem respostas que contenham "a bíblia diz" ou similares...

Valendo!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ao meu primeiro amigo gay

Até o final da minha adolescência, eu não tinha amigos gays. Eu dizia para mim mesmo que não queria ficar preso num gueto, me relacionando apenas com meus amigos homossexuais. Queria ter amigos heterossexuais porque gostava dos amigos que eu tinha até então. Eu achava que ter um amigo gay faria que meus amigos heterossexuais se afastassem de mim.

Hoje vejo que isso era puro preconceito meu. Não havia uma escolha a ser feita (ter amigos heteros ou ter amigos gays) e, se houvesse, os heteros não eram necessariamente a melhor escolha. Viver apenas no gueto é ruim sim, mas ter amigos gays não me leva automaticamente a essa situação. O que me leva a isso é o preconceito que existe nas pessoas.

O fato mais importante nessa história é que, nessa época, eu tive a oportunidade de conviver mais com gays, bissexuais e lésbicas e ser amigo deles, mas não o fiz. Eu me lembro disso porque reencontrei por agora um colega de escola da época do ensino médio (que eu desconfiava ser gay) e me lamento por não ter sido mais próximo dele à época.

E eu posso dizer isso hoje porque me lembro com carinho do meu primeiro amigo gay. Ele só chegou quando eu tinha 23 anos. Contudo, eu digo que ele me ensinou a falar (gírias gays) e a entender melhor a mim e aos outros. Com ele aprendi que é bom ter amigos diferentes da gente (que, por isso, nos exercitam enquanto seres humanos), mas que também é bom ter aqueles mais parecidos com a gente e que vão nos compreender como ninguém mais fará. Ele me ensinou a me aceitar ainda mais e que não havia nada de errado em cada um ser do jeito que é.

Se me arrependo de ter demorado tanto a fazer amizade com alguém que não fosse heterossexual, também posso dizer que tenho todo o orgulho e admiração do meu primeiro amigo gay na mesma medida. O Drag Madrinha definitivamente mudou minha vida!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

No espelho retrovisor, um Leão - III



Para ler os post anteriores dessa trilogia, clique aqui e aqui.

Tudo que é sólido desmancha no ar


O tempo havia passado e muita coisa havia mudado. A família que eu descrevi naquele primeiro relato tornou-se irreconhecível. Meus pais estavam cada vez mais envolvidos com o trabalho dentro da igreja católica, trabalhavam em casa e a situação financeira da família havia piorado muito. Apesar disso, a prioridade era a imagem de uma família perfeita e feliz. E, para manter essa imagem, minha família mantinha vários fatos em segredo. Tanto que grande parte das coisas que foram relatadas na primeira parte desta trilogia de posts eu só descobri depois de adulto porque uma tia me contou.

Eu era um jovem de 24 anos que havia assumido a sua sexualidade para os pais de uma forma tragicômica (pretendo escrever sobre isso depois). Minha avó havia falecido e muito de mim havia falecido também à mesma época. Eu fui demitido de um emprego em que eu estava há 6 anos, havia rompido um namoro de uma forma extremamente traumática e desagradável... Havia todo um conjunto de situações desfavoráveis que me levaram a uma depressão fortíssima.

Assim, eu voltei a viver na dependência financeira dos meus pais. Mas, para aquela família, que antes parecia tão "maluca" e hoje ostentava uma pose "tradicional" hipócrita (querendo aparentar ser uma família de comercial de margarina), eu era algo que deveria ser jogado sob o tapete para não manchar a honra da família. Meu  único irmão, aquele que não tem limites nem em sua agressividade, virou o queridinho da família, porque ele participava (e ainda participa) do jogo de aparências da minha família.

Pra mim, sobrou um tratamento de segunda classe, o desprezo, a sensação de ser a causa da vergonha alheia e um sentimento muito ruim. Não entendam que aqui há um mero ciúmes do meu irmão ter ocupado um lugar que já foi o meu. Isso, na verdade, me traz alívio, na medida em que eu abomino esse lugar em que eu me deixei ficar. A grande questão é como é lastimável ver as pessoas dizendo com todas as letras que eu, por ser quem sou, tenho menos valor que uma pessoa que encarna o papel de uma violência mascarada, mas que colabora com o jogo de aparências.

Foi por causa do preconceito que eu ouvi minha família dizer que tinha vergonha de mim, chegando ao ponto de meus pais afirmarem para mim que era melhor eu não ter nascido, exatamente como o meu pequeno amigo ouviu. Chegando ao ponto de eu ser expulso de casa (coisa que minha família faz questão de ocultar até hoje).

Este é o começo de uma história triste, que tem partes mais dolorosas, mas que eu ainda não consigo contar por aqui. Peço desculpas, à vocês e a mim, por terminar essa trilogia dessa maneira rasa, contudo não queria simplesmente abandonar o tema sem amarrar as pontas que deixei nas postagens anteriores. Quem sabe um dia eu estarei pronto para falar mais sobre isso, de uma forma mais serena...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Meninos" do Rio

Existem várias maneiras de contar uma história. Pra contar minha ida ao Rio de Janeiro eu poderia simplesmente descrever os fatos que aconteceram, poderia colocar fotos que comprovem que eu e Maridão fomos de carona sim (apesar da incredulidade de alguns), poderia pedir depoimentos dos amigos blogayroz que lá encontrei para compor um quadro geral... Mas prefiro falar do que eu senti e do que isso representou em minha vida.

Gostei muito mesmo de conhecer pessoalmente todos aqueles que eu encontrei no Rio. Todos, sem exceção. Gostei de perceber que o carinho era recíproco e que vocês são bem próximos de como eu imaginava que vcs fossem. Esse encontro com pessoas que eu gosto foi como recarregar as energias que eu tanto precisava.

Fiz uma maratona pra aproveitar ao máximo o pouco tempo que eu tinha. Tive que lidar com mudanças no cronograma que eu pensei originalmente, tive que ir num ritmo pesado (principalmente para o Maridão, que detesta correria)... Eu estava com pouco dinheiro e me virei como eu podia, tive que ir no meio da semana porque, caso contrário, só poderia ir nas minhas férias do ano que vem, tive que adiar um compromisso importante pra ter nessas férias um tempo pra chamar de meu...

Mas tenho certeza de que valeu a pena todo esse esforço por cada segundo em que estive do solo fluminense. Serviu como um grande presente que eu me dei (e que eu tanto merecia). Vocês foram meus grandes presentes desse ano, meus queridos! 

Ficou um gosto de "quero mais". Para aproveitar mais tempo ao lado de quem eu encontrei, para encontrar quem eu queria ver, mas não teve jeito... Enfim!

Escrevendo tudo isso, me lembro que nem sempre foi tranquilo eu sair de casa assim do jeito que eu fiz. Já houve um tempo em que eu mal saía de casa, nem pra ir na esquina. Eu já comentei aqui, de forma vaga, que eu andava meio bicho do mato. Culpa de uma depressão grave e de uma "fobia social".

Assim posso dizer que essa viagem, para mim, teve gosto de amizade, de auto-amor, de superação de uma fase ruim e de agradecimento. Agradecimento a cada um que fez meu sacrifício valer a pena, agradecimento ao Foxx (que foi quem me ajudou a dar os primeiros passos no movimento de "leãozinho sai da toca") e agradecimento à vida que ainda insiste em me trazer bons momentos.

Hoje eu só tenho a desejar que uma paz maior que a que eu estou sentindo invada o coração de todos vocês! Obrigado por me ler, obrigado por serem a minha companhia mais presente e obrigado por trazer mais cor a minha vida.
Vista digna das novelas de Manoel Carlos. Esse sou eu realizando o sonho de ter um amigo que mora na região nobre da cidade! ^^

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O quanto a gente muda

Estou chegando à conclusão de que devo ser chato pra cinema! Ou melhor, que eu fiquei chato pra aceitar a trama da história de um filme.

Outro dia fui rever o "Highlander: o guerreiro imortal". Na minha infância esse foi um dos melhores filmes que eu havia visto, ao lado de outros clássicos como "Blade Runner", "O vingador do futuro", "Os Goonies" e "Conta Comigo". O resultado de rever Highlander foi uma enorme decepção. Como eu pude gostar de um filme tão ruim? A atuação do protagonista é péssima, tem umas cenas completamente desnecessárias (que prejudicam o filme por serem irreais, ao invés de ajudar o expectador a embarcar na história) e acho que só a trilha sonora (do Queen) é que se salva. Pra piorar, só encontrei pra baixar a versão dublada (a mesma que eu vi na infância) e achei que a dublagem faz a coisa ficar ainda pior. Será que eu mudei tanto assim que hoje classifico um filme que já foi como um dos melhores como "o pior filme" da minha vida?

Creio que o maior pecado de Highlander são as cenas inverossímeis. Tem uma em que o cara aparece respirando embaixo d'água! Não precisava, gente! De verdade! A gente entendeu que ele é imortal (mas que morre se alguém lhe cortar a cabeça). Tem outra ainda pior: o policial que está desconfiada do protagonista descobre que ele é imortal e o coloca contra a parede. O que acontece na sequência? Ele a chama para um escritório nos fundos, faz com que ela dê uma punhalada em seu abdomem, ele cai no chão de dor mas não morre e então os dois se beijam e transam. Tipo: quer transar com alguém? Faça a pessoa te esfaquear! Tiro e queda! Na boa, essas cenas absurdas me fazem broxar com o filme...

É o mesmo caso de um filme recente, "Prometeus". Nele também tem umas coisas no roteiro que são bem irreais. Coisas do tipo: Eu sou um biólogo, estou numa expedição em outro planeta, encontro um ser alienígena totalmente estranho e que me lembra o comportamento de uma serpente terráquia e eu decido, obviamente, fazer carinho na criatura porque, com certeza é um ser vivo inofensivo... Juuuuuuuuura??? Esse é um exemplo de coisas que acontecem no filme e me fazem não embarcar tanto na história, pq ela não me convence (tem algumas cenas ainda piores, mas não quero fazer spolier). Apesar disso, eu não me arrependo de ter visto "Prometeus". Ele é bom, só não dá pra se encher de expectativas sobre ele...

Mas a grande questão nem é sobre o que me faz gostar ou não de um filme. O que fiquei pensando é o quanto a gente muda ao longo do tempo. Certas coisas que antes me agradavam hoje são, para mim, uma grande decepção. Um filme que, em outros tempos, me agradaria muito, hoje me dá um pouco de raiva. Pessoas que eu gostava muito, hoje são apenas gente que passou em minha vida e que hoje vejo com um estranhamento tão grande...

Pra tudo a fila anda. Pra amor, pra amizade e até pra gosto cinematográfico.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

No espelho retrovisor, um Leão - II





Para ler o post anterior, clique aqui.

O filho do desejo


Eu nasci em 1983, três anos depois do casamento dos meus pais. E nem foi porque meus pais queriam curtir o casamento: minha mãe tem uma deformação no útero que a faz ter dificuldades para engravidar. Eu fui fruto de muita persistência e desejo. Meu irmão estava "programado" para nascer uns dois anos depois de mim, mas a dificuldade da minha mãe para engravidar fez com que ele nascesse 7 anos depois.

Quando eu tinha 5 anos, meus pais estavam quase desistindo de ter mais um filho, mas eu queria muito ter um irmão. E, por causa dos meus insistentes pedidos, eles decidiram continuar tentando, até que meu irmão foi concebido.

Eu, nitidamente, era o filho que recebeu mais atenção e investimento dos meus pais. Eu era "o" filho deles, fruto do desejo deles. Meu irmão era apenas o meu irmão, fruto do meu desejo e necessidade de ter um irmão.

Fui uma criança mimada, mas sem luxos. Meus pais nunca foram ricos e moravamos a dois quarteirões de uma das maiores favelas da cidade. A molecada da região teve uma certa resistência comigo num primeiro momento porque eu era mais branco que eles, mais rico que eles (porque, na percepção deles, eu almoçava todos os dias...), tinha pai e mãe morando comigo e não tinha que dividir meu quarto com mais dois ou três irmãos (afinal, naquela época, eu era filho único). Aos olhos deles, eu era um playboyzinho. O primeiro precoceito que sofri foi racial/social, mas eu não entendia o que estava acontecendo. Pra mim, eles sempre foram iguais a mim. Não entendia porque eu nem sempre era bem-vindo.

Bem perto do meu bairro, havia fazendas nas quais a meninada brincava e um campo de futebol de terra, locais em que brincar era garantia de voltar pra casa imundo. Quando começaram as obras para canalização do esgoto do bairro, os buracos das obras e as manilhas se tornaram outro reduto que era a alegria da criançada (que se divertia) e o terror das mães (que lavavam a roupa). Ao me verem entrando nas mesmas brincadeiras que eles e não me importando de me sujar na lama, na terra, de me molhar na chuva ou torrar no sol, meus pequenos vizinhos começaram a me ver como igual, e foram se tornando meus camaradas.

Nessa época, eu devia ter uns 9 anos. Quase todos os colegas de então morreram anos mais tarde, vítimas da violência da disputa pelo controle tráfico de drogas na região. Alguns que ainda estão vivos são ladrões conhecidos na região, mas que me tratam com um respeito enorme. Uns poucos viraram homens trabalhadores ou se mudaram de lá, de forma que eu não sei o que lhes aconteceu.

Um desses que se mudou enquanto nós ainda éramos crianças me falou uma frase que me marcou à época, mas que hoje me dói muito: "Achei estranho o dia em que ouvi sua mãe, Cara Comum, dizer que, antes de você nascer, ela queria muito ter um filho. Minha mãe, toda vez que está brava comigo, diz que não queria que eu tivesse nascido...".

Acho que foi a primeira vez que me senti intensamente diferente de alguém. Eu era o fruto do desejo, com todas as vantagens e desvantagens disso. O meu amigo não. Até hoje não sei explicar o que eu senti naquele momento. Só sei que não foi bom...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

No espelho retrovisor, um Leão - I

Prólogo: Resolvi contar minha história aqui no blog, com os fatos mais marcantes que minha memória retém. Mais que falar da minha família ou fazer uma biografia, sinto que preciso dizer mais sobre as coisas que vivi, para desfazer uns nós. Serão relatos de um passado que talvez para vocês não faça muito sentido, mas escrevo por mim, por esse desejo que grita querendo sair. Obviamente, não falarei somente de mim e teremos diversos novos personagens, não só da minha família, mas muitos outros que não apareceram aqui no blog. Para aqueles que decidirem se aventurar comigo, eis uma ótima oportunidade de saber mais sobre o Cara Comum que vos escreve. Este primeiro post é um grande adendo das histórias que virão a seguir.



A história antes da história

Essa história que eu quero contar começa antes de eu nascer. Se, por um lado, posso dizer que não participei dela, não posso afirmar, contudo, que ela não me atinge.

Meu pai é o filho caçula de uma família de 6 irmãos que morava numa cidade do interior de Minas Gerais, ao norte de Belo Horizonte. Um dos irmãos dele morreu quando ele era criança de colo. Outra irmã dele teve paralisia infantil e se foi quando ele tinha 4 anos. Minha avó paterna era negra, Testemunha de Jeová e mãe solteira. O meu avô paterno nunca assumiu o seu relacionamento com minha avó. Eram dele o filho mais velho (meu tio) e o mais novo (meu pai). Meus outros tios são meio-irmãos do meu pai. Eu nunca conheci essa minha avó nem esse meu avô. Quando minha avó paterna faleceu, meu pai tinha 6 anos. Ele e seus irmãos se mudaram para BH para serem criados por uma tia deles. Quando garoto, morando em BH, meu pai fez um grande amigo: o Padrinho Pombo.

Minha avó materna, que chamarei de Vovó Ternura, era filha de um italiano que veio viver no Brasil, numa cidade do leste de Minas Gerais. Aos 25, ela e a família se mudaram para Belo Horizonte. Aos 36 se tornou mãe solteira e criou sua única filha com o dinheiro que ganhava costurando. Meu avô materno só procurou saber da minha mãe quando ela fez 16 anos. Até hoje minha mãe nunca perdoou meu avô pela sua ausência. Eu só o vi umas 3 ou 4 vezes na vida. Minha mãe foi criada com medo de tudo: ela e minha vó tinham medo de não ter o que comer no mês seguinte, de não conseguir pagar o aluguel, da casa desmoronar durante uma chuva, medo de assaltos, medo de tomar leite depois de chupar manga, medo de doenças, medo de assombração, medo de rato... Talvez por isso minha mãe se tornou uma moça muito tímida e tão religiosa (católica) quanto minha avó.

Na adolescência, minha mãe já trabalhava para ajudar no sustento da casa e, aos finais de semana, saia para dançar com uma amiga, que chamarei de Madrinha Espuleta. Meu pai também começou a trabalhar cedo para se sustentar. Virou metaleiro (e, obviamente, só ouvia Heavy Metal) e ateu. Na adolescência, teve uma filha que ele nunca assumiu e, apesar de não gostar de dançar, foi a uma festa numa clube de dança em BH, por insistência do Padrinho Pombo. Era o ano de 1970 e, nesta festa, o Padrinho Pombo apresentou minha mãe (que era vizinha dele) ao meu pai.

Meu pai namorou minha mãe durante 10 anos, e nesse período, os dois compraram um lote numa cidade vizinha de BH, onde construíram a casa onde morei boa parte da minha vida. Hoje eu sei que a escolha por um lote bem afastado de onde mora o restante da família do meu pai e da minha mãe foi uma tentativa deles de se afastar dos "parentes da onça", como meu pai costuma dizer. Em 1980 meu pai e minha mãe se casaram e foram morar na tal casa, levando Vovó Ternura pra morar junto com os dois. Foi neste contexto que, alguns anos depois, eu nasci. Mas isso é uma história que fica para a próxima...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Procurados, não localizados e ignorados



Alguns problemas a gente tenta encontrar a causa e não consegue encontrar, de nenhuma maneira... O que fazer neste caso?

Minha terapeuta me deu uma missão pra essa semana: descobrir porque eu tanto me saboto. Fiquei pensando e pensando e pensando e... até agora não sai muito do lugar! Se alguém tiver uma ideia do que se trata, ajuda eu?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Do lado de lá

Imagine só a situação: você tem um amigo que não mora próximo de você. Para ser mais exato, ele está a 2361 km de distância. Mas o cara te percebe melhor que você mesmo. E dispara: "você faz coisa demais!" Argumentos contra? Nenhum.

De duas, uma: ou se tem uma dificuldade na aceitação ao se descobrir-se um workaholic, mas se pode contar com um amigo que tem sensibilidade suficiente pra te alertar; ou o caso está tão crítico que está dando pra perceber de longe e só eu mesmo não enxergo... rs

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Meu amado rancor

Antigamente eu tinha vergonha de sentir o que muitos consideram como sentimentos negativos. Pecado maior era expresar, deixando claro que eu estava vivenciando tudo aquilo. Assim eu engolia todos os sapos possíveis e não demonstrava minha insatisfação achando que estava fazendo o meu papel de ser compreensivo.

Eu só não tinha me dado conta de que aquela postura era um disfarce da minha falta de autoestima e da minha covardia. Negar o que eu estava sentindo foi me desorganizando e me destruindo por dentro. Talvez foi uma das coisas que mais me fez mal na minha vida até hoje. Porém, percebi que é preciso dar um jeito, meu amigo. Agora vejo tudo com outros olhos.

Tenho orgulho do rancor que sinto, por exemplo. Sim, eu guardo rancor e não fico mais constrangido em dizer isso. Algumas pessoas se escandalizam quando eu digo tal coisa e falam que seria melhor eu não guardar raiva de ninguém. Mas eu não guardo raiva porque eu quero. Eu apenas não sei me ver livre dela, só isso.

Assim, ou eu assumo a sua existência e vivencio de alguma maneira meu rancor ou volto a abafá-lo dentro de mim, jogando a sujeira para debaixo do tapete. E, de alguma forma, estou aprendendo a reverter essa raiva que guardo em algo de bom para mim.

Atualmente, é essa raiva, esse rancor, que uso como força que me move na direção da minha autoproteção. Esse ranço me faz não querer vivenciar nunca mais situações e relações que só me fizeram mal. Esse ódio me impede de me culpar de coisas que aconteceram por culpa dos outros e não por minha culpa (e outrora eu aceitava essa culpa para mim).

Pegar essa energia ruim e transformar em algo que me traz benefícios é uma coisa maravilhosa! E por isso tenho orgulho de estar aprendendo a sentir raiva, ódio, rancor e, acima de tudo, a ser humano e não santo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ironias dessa vida


Tem coisas na vida que me surpreendem a tal ponto que eu só consigo rir, por enxergar uma ironia inesperada, obviamente involuntária, ou uma coincidência que beira o absurdo.

Arrumando uma gaveta daquelas onde se guarda bagunça, encontrei um rolo de filme fotográfico não revelado. Como se não bastasse a sensação da surpresa de localizar tal objeto que já pode ser considerado uma relíquia por si, ficou também a interrogação sobre o seu conteúdo.

Voltei ao tempo passado em que isso era algo comum e não exótico como hoje e vivi aquela experiência de entregar o filme, aguardar o tempo da revelação, sentir a dúvida sobre quais fotos estariam em minhas mãos em breve e buscar as fotos reveladas na loja para organizar no álbum de papel.

Quando fui pegar o resultado, o atendente me disse que foram reveladas 34 fotos. Peguei o envelope, agradeci e fui ao caixa pagar. Débito quitado, pude finalmente conhecer o conteúdo e fiquei muito surpreso. Eram fotos das duas pessoas que eu mais odeio. Muitas dos meu ex-namorado Ex Maluco (um namoro de 2006 e que teve uma história não muito agradável que depois eu conto) e "Amiga da Onça", uma "amiga" de tempos idos que fez comigo umas sacanagens quando eu mais precisava de ajuda.

O que vocês acham que eu fiz com as fotos e o álbum? Isso mesmo. Organizei as fotos numa sequência que dá outra impressão ao álbum e guardei-o na tal gaveta de bagunças, pois não quero deixá-lo juntos das minhas fotos na casa da minha mãe. Minha família provavelmente rasgaria as fotos e eu não teria o prazer de guardar esse meu troféu, quase uma ode ao rancor.

sábado, 8 de outubro de 2011

Enxergando os sinais

Hoje eu bebi muita água e, apesar dos muitos goles fartos, ainda fiquei com sede.

Hoje, escutei minhas músicas favoritas e mesmo assim queria ouvir algo que eu não sabia o que exatamente.

Hoje eu dormi muito, mas existia ainda um sono quase maior que eu.

Em tudo que fiz na tentativa de satisfazer o meu querer, mas sempre faltava algo.

Quando acontecimentos bons não são capazes de nos alegrar, isso pode ser um mal sinal... Sinal de que a gente se acostumou a viver sem sabor. Ou se desacostumou com a vida...

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