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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Parada gay de um povo imoral e despolitizado

Dia 29 de Setembro aconteceu a Parada LGBT de BH. Infelizmente não deu pra eu ir, pois estava passando mal. Conversando com um amigo, ele disse que também não foi e nem gostaria de ir, porque acha que a parada só atrapalha o movimento e "perdeu seu caráter de contestação política".

Pra mim, esse pessoal que critica as Paradas LGBTs, dizendo que são imorais e que acontece um monte de coisa terrível lá devem se ater a fontes como as dessa notícia, que contam uma história parcial, selecionando apenas o que acontece de ruim em um evento. Daí, a maioria das pessoas pensa que o evento inteiro é formado por um bando de monstros.

Mas, sabe?? Todo lugar onde houver seres humanos, vamos encontrar transgressores. Alguns deles estão recheados de bons motivos para transgredirem opressões injustificadas. Mas outros são apenas pessoas sem noção de convivência em sociedade...

Porém também não vejo problema nas pessoas ficarem "se pegando". No carnaval, héteros fazem a mesma coisa. Acho muito moralismo querer criticar pessoas que decidem manifestar seus instintos e desejos. Por acaso alguém que afronta esse puritanismo é necessariamente pouco engajada com as causas políticas?

Sei lá. Sinto que nesse discurso existe uma barganha na tentativa de ganhar direitos. É como se a maioria opressora exigisse gays "mais comportados", que escondam sua manifestação de desejo/afetividade para que estes possam ter os mesmos direitos que ela já tem. E o que estes heteros opressores fizeram para ganhar estes mesmos direitos? Nada? Então porque somente nós temos que pagar um preço por isso?

Não estou dizendo que todos os gays sejam adeptos da pegação nas paradas, nem que todos concordem com a moralidade de tal ato, mas penso que condenar quem partilha das mesmas ideias é como extirpar a individualidade, o que fatalmente vai contra algo pelo que lutamos: o respeito à diversidade.

Contudo tenho de concordar que a maioria dos frequentadores das Paradas brasileiras não são tão conscientes politicamente falando. Mas isso não é uma questão que atinge apenas o público LGBT. O problema é que o povo brasileiro em geral não se mostra engajado na política. Esperar que os gays estivessem drasticamente distantes dessa realidade seria ignorar que os gays vivem imersos nessa mesma cultura que nos faz um país que pouco valoriza a educação, a cultura e coisas do gênero.

Ou seja: o engajamento político do gay brasileiro (e do brasileiro em geral) é uma luta com muito mais nuances do que a gente imagina...

domingo, 23 de setembro de 2012

É hoje o dia...

Hoje é dia do orgulho bissexual e eu não podia deixar a data passar em branco!

Parabéns a todos e todas que estão nesse barco, por vezes tão incompreendido, mas seguem resistindo e lutando por dias melhores!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o golpe atinge na própria pele

Faz um tempo, recebi pelo Facebook um pedido de doação de sangue. Como a Anvisa não quer sangue de viado sendo doado (a não ser que seja viado puro e casto), comentei que não poderia doar, mas que divulgaria o pedido para meus amigos.

Eu penso que uma estratégia bacana para combater o preconceito é mostrar que ele não atinge somente quem é discriminado, mas também a quem, em teoria, nada teria a ver com a história. Apesar de que, na maioria das vezes, as pessoas resolvem apenas os "efeitos colaterais" e não o preconceito em si, eu creio que, em geral, situações em que o outro "sente na pele" os prejuízos da discriminação são mais frutíferas que outras em que a pessoa tem que fazer o (nem sempre fácil) exercício de se pôr no lugar do outro.

Outra oportunidade desse tipo é quando alguém diz que, se for aprovada uma lei que tipifique o crime de homofobia, vai ter muito gay se aproveitando disso pra dizer que tudo é homofobia e tirar vantagem da situação. O melhor argumento é que, quando a lei define o que é ou não é um crime de homofobia (assim como ocorre na lei que define o que é ou não é um crime de racismo), a própria lei já reduz a discussão do que é e do que não é homofobia e coibe, portanto, muitos dos abusos que acontecem quando pessoas processam as outras baseadas num crime (genérico) de discriminação e que, exatamente por ser genérico, está sujeito à interpretação do juiz em sua decisão.

Além disso, é preciso mostrar que não são só os cidadãos LGBTs que são vítimas da homofobia. Por isso, minha dica é a foto abaixo, que deveria ser divulgada exaustivamente junto com os links para cada notícia por ela ilustrada:


PS: A saber, os links de referência sobre os crimes anunciados nesta imagem são:

Notícia no G1 sobre os gêmeos José Leonardo e José Leandro Silva

Notícia na folha de São Paulo sobre Marx Nunes Xavier

Notícia no G1 sobre Bruno Chiarioni Thomé


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Rapidinhas para o feriado

Pra você que está com preguiça de ler posts "filosóficos" neste feriado, resolvi fazer um bem mais leve, dividido em duas partes. Aproveite!



Tá se preparando pra quando G-zuis ressuscitar? Pois domingo dia 08 vai rolar até concurso usando o seu santo nome. Trata-se do "Hunky Jesus Contest", um concurso que elege o "cover" de G-zuis mais "bonitão" e/ou com mais "atitude". O evento acontece em São Francisco (EUA) e é promovido há 33 anos (que número mais propício, não?) por um grupo gay radical chamado The Sisters of Perpetual Indulgence (As Irmãs Perpétuas da Indulgência). O grupo, que tem adeptos em várias partes do mundo, é composto por homens maquiados e vestidos de freiras.

Polêmico, o concurso desperta a ira de muitos religiosos e até de alguns ativistas LGBTs. Porém, o grupo afirma que tudo não passa de uma brincadeira.

Na minha singela opinião, alguns dos participantes são tão carismáticos (ou só gostosos mesmos) que arrisco a dizer que Pedro não os negaria uma quarta vez! rs. Meu preferido da edição do ano passado (2011) é o que aparece aos 4:48 do vídeo abaixo:


Pena que estou amarrado, mas não é em nome de G-zuis...



Estava dando uma olhada no site da Campanha pelo Casamento Civil Igualitário e, na seção intitulada "opinião" na qual há várias citações de pessoas importantes que apoiam o casamento de pessoas do mesmo sexo, li a seguinte fala do jornalista e escritor argentino Osvaldo Bazán:

"A criança judia sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais judeus lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe dizem por que essa noite não é como todas as noites, e contam para ele a história daquela vez em que tiveram que sair correndo e o pão não levou. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança judia que não está sozinha. A criança negra sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais negros lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe falam do berço da humanidade, de um barco, de uma guerra. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança negra que não está sozinha. A criança homossexual sofre a estupidez do mundo e nem pensa em falar com os pais, porque supõe que eles vão ficar chateados. Não sabe por quê, mas eles vão se chatear. E para seus pais, o pior é crer que seu filho não é como eles (…). A criança homossexual, só por ter nascido homossexual, só por ter sido parida em território inimigo, está em guerra com a religião, com a ciência e com o Estado. Como poderá uma criança enfrentar uma luta tão desigual?"

Sabe quando você não tem o que completar? Acho que foi a vez em que vi a melhor descrição sobre a crueldade e o abandono a que a criança gay está submetida no seio de uma família (e sociedade) homofóbica.

Mas, se você é uma criança gay e está lendo isso aqui, digo pra você não desanimar com a crueldade: eu nunca senti com tanta clareza que estamos tão próximos de sermos uma sociedade menos injusta. Estamos juntos no mesmo barco e eu acredito que a tempestade vai passar!

EDIT: Confira o post seguinte, que tem um pedido de desculpas a esse post.


EDIT 2: Antes de sair esbravejando por aí e para entender melhor minha opinião, veja o terceiro post dessa sequência aqui.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"De papel passado" ou "Dicas para sua União Estável (de quem já registrou uma)"

Agora é oficial: eu e o Maridão fomos ao cartório registrar nossa união estável. Mais casado que isso, só entrando na justiça e pedindo a conversão do registro de união estável para casamento. E foi tudo bem mais simples do que imaginamos.

Antes de mais nada, procuramos um advogado do Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte (CRLGBT-BH) que, além de esclarecer nossas dúvidas sobre os procedimentos para o registro, nos deu uma aula de Direito de Família.

Depois, conversamos com um casal de amigas de uma vizinha do condomínio (e descobrimos que este casal foi o primeiro a registrar em BH sua união estável após a histórica decisão do STF) para saber de detalhes práticos a respeito do cartório. Elas disseram que era tudo muito simples e bastava agendar com o cartório e tudo era feito na hora, sem necessidade de testemunha ou de um advogado presente (confirmando o que o advogado do CRLGBT-BH nos havia informado). Indicaram um cartório de notas do qual gostaram muito do atendimento e a grande ironia é que é neste cartório que meu irmão trabalha(!). O Maridão, como é fã de um serviço bem feito, indicado e aprovado por terceiros, sugeriu que fizéssemos por lá mesmo. Por mim, sem problemas.

No mesmo dia, compramos um par de alianças (sim, estou pagando língua...) e fomos ao cartório confirmar detalhes como disponibilidade na agenda deles. Lá, descobrimos que não seria o meu irmão a registrar o nosso "casório" (ele trabalha em outro setor) e que o cartório já está fazendo o registro da escritura pública sem necessidade de agendamento (o volume de registros nesse cartório de BH é de "apenas" entre 4 a 5 uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo por mês). Meu irmão fez o registro para reconhecimento de firma (ai dele se implicasse com minha assinatura!) e decidimos voltar na data combinada para registrar tudo.

Porém, quando chegamos em casa, Maridão que é daqueles homens muito mais que precavido decidiu voltar ao cartório e agendar mesmo assim. Afinal não é preciso agendar, mas já que existe essa possibilidade, porque não aproveitá-la e diminuir as chances de ter que mofar na fila? Pois foi a nossa sorte! Durante o agendamento, descobrimos que seria necessário utilizar uma certidão de nascimento atualizada, cuja via tenha sido emitida há, no máximo, 90 dias. Como Maridão é natural de uma cidade do interior de Minas Gerais, não daria tempo de fazer tudo até a data que escolhemos. Assim, adiamos para quando a minha cunhada, irmã do Maridão (que chamarei de Cunhada 220v), pudesse trazer do interior uma via atualizada desse tal documento.

Nós havíamos decidido não fazer festa nenhuma, já que nem eu nem o Maridão temos paciência pra festa. Mas, com a Cunhada 220v chegando só para o casório e com a pressão dos amigos que prometeram invadir nossa casa e comemorar "na marra", resolvemos fazer uma reunião para a qual chamamos apenas os amigos mais íntimos. E como é difícil ter uma lista com número muito limitado! Dá vontade de ou chamar todo mundo ou não chamar ninguém! E acabou que, como foi de última hora, não deu pra chamar muita gente e muita gente não pôde vir. Resultado dessa da história: comemoraçãozinha pequena, mas aconchegante!

Na semana que antecedeu a nova data, fiquei absorvido entre os compromissos profissionais e os preparativos para o "casório". No tão aguardado dia, foi tudo muito simples mas marcante, realmente. Chegamos na hora programada, assinamos o documento já previamente preparado quando agendamos, pagamos as taxas, trocamos as alianças compradas e fim. Tudo muito rápido. Agora é viver!

Abaixo, ficam as dicas (de um leigo que passou pela experiência) para quem quiser registrar sua união estável:

  • CONHEÇA O QUE DIZEM AS LEIS: Não é obrigatório, mas, se tiverem oportunidade, conversem com um advogado que entenda bem sobre direito de família. E, se possível, que entenda das questões específicas dos cidadãos LGBTs. Entrar num casamento (ou numa união estável) conhecendo todas as implicações legais (e o leque de possibilidades que se abre) pode ser de grande valia e ajuda a evitar dores de cabeça futuras. Não que seja o momento para pensar no pior, mas é preciso considerar situações nada românticas que podem vir, como a morte de um dos companheiros, separação, adoção de filhos, financiamento de imóveis, declaração de imposto de renda, doença ou invalidez, etc. Se vocês não conhecem um bom advogado e/ou não podem pagar pela consultoria de um, procure saber se na sua cidade existe alguma assistência jurídica oferecida para cidadãos LGBT (que pode ser ofertada pelo governo ou por ONGs).
  • REGISTRE O DOCUMENTO CORRETO NO LOCAL CORRETO: Procure um cartório do tipo "tabelionato de notas" em sua cidade que faça escrituras públicas de união estável. Contratos feitos entre as partes como se fosse uma sociedade empresarial são coisas do passado. Se o cartório escolhido oferecer a possibilidade de agendar esse tipo de serviço, pode ser uma boa opção para agilizar o atendimento no dia e evitar contratempos que possam adiar a declaração.
  • O QUE VOCÊ VAI PRECISAR PARA FAZER: Documentos como Carteira de Identidade, CPF e Certidão de Nascimento emitida a, no máximo, 90 dias (todos os documentos originais e cópias) dos dois cônjuges. Também é preciso ter firma reconhecida (no próprio cartório, de preferência) antes de realizar o registro propriamente dito, para que sua  assinatura  tenha validade. E, apesar de ser algo óbvio, vão aí mais duas dicas: É preciso estar desimpedido para declarar a união estável (estarem ambos solteiros ou divorciados judicialmente -  a via da certidão de nascimento atualizada serve para confirmar isso); e é preciso que os dois estejam fisicamente presentes no momento do registro da escritura pública. Não dá pra fazer isso por procuração!
  • QUANTO SE PAGA: Além das fotocópias dos documentos, as vias atualizadas das certidões de nascimento (aproximadamente R$25,00 cada), existe uma taxa a ser paga para esse tipo de serviço, e o valor geralmente é tabelado por lei em cada estado. Aqui em Belo Horizonte, na data em que fiz o registro (Fevereiro de 2012), a taxa estava por volta dos R$50,00.
  • O QUE NÃO PRECISA: Para um casal em que ambos sejam maiores de idade, não é necessário que se elabore um documento prévio, nem há necessidade de testemunhas, menos ainda é necessária a presença de um advogado no dia do "evento". O regime de comunhão parcial de bens é subentendido como o regime escolhido pelo casal e não é preciso declará-lo. Caso não seja esse o desejo do dois, é preciso declarar qual o regime pretendido no ato do agendamento/registro da escritura pública.
PS: Bom, é isso! Este post foi meio "jornalístico", mas é que eu precisava dar a notícia. O próximo post será um relato mais intimista desse acontecimento. Felicidades para todos e todas!

PS2: Fiz um post em resposta aos emails que recebo pedindo ajuda para encontrar cartórios em BH. É só ler aqui!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

URGENTE: 12 horas para impedir a pena de morte a gays em Uganda!


Recebi agora por e-mail a notícia de que o parlamento ugandense estava prestes a votar uma lei que prevê a pena de morte para a homossexualidade e resolvi divulgar. Quando fui ver alguma notícia na internet sobre o caso pra saber a quantas andava isto, fiquei um pouco mais tranquilo. Mas mesmo assim, espalhem pra todo mundo, gente!!! Afinal, eu não sei se a fonte da notícia de que o perigo já passou é sergura. E também porque parece que eles apenas adiaram a votação e se a gente mostrar a dimensão do nosso repúldio, talvez a gente se livre para sempre dessa sombra. Abaixo o texto do site Avaaz na íntegra:


"Em 12 horas, o parlamento ugandense pode votar uma nova lei brutal que prevê a pena de morte para a homossexualidade. Milhares de ugandeses podem enfrentar a execução - só por serem gays.

Nós ajudamos a impedir esta lei antes, e podemos fazê-lo novamente. Depois de uma manifestação global massiva no ano passado, o presidente de Uganda, Museveni, bloqueou o progresso da lei. Mas os tumultos políticos estão crescendo em Uganda, e extremistas religiosos no parlamento esperam que a confusão e a violência na rua distraiam a comunidade internacional de uma segunda tentativa de passar esta lei cheia de ódio. Nós podemos mostrar a eles que o mundo ainda está observando. Se bloquearmos o voto por mais dois dias até que o parlamento feche, a lei expirará para sempre.

Não temos tempo a perder. Vamos chegar a um milhão de vozes contra a pena de morte para gays em Uganda nas próximas 12 horas - assine agora e então divulgue a campanha!"

Link: Petição
Notícia (a única que encontrei recente): POP News / mundo (é melhor nem olhar os comentários da notícia pra não ter ânsia de vômito)

sábado, 9 de abril de 2011

Ação concreta contra Jair Bolsonaro


Realmente uma figura que deu o que falar ultimamente foi o deputado Jair Bolsonaro. Suas afirmações racistas e homofóbicas foram o grande assunto em todas as mídias nos últimos tempos. É claro que a reação tinha que acontecer. E, talvez, uma coisa repugnante como essa possa alavancar atitudes concretas em nosso benefício.

Recebi por e-mail ontem que uma comunidade de mobilização online, a Avaaz, está lançando uma petição para aprovação da legislação anti-homofobia. Essa petição será entregue em Brasilia com a ajuda do pessoal do All Out e grupos GLBT brasileiros.

Para assinar a petição, basta ir lá no site e preencher um cadastro.

Dá pra divulgar também pelas redes sociais e via e-mail.

Se precisar de argumentos para convencer alguém a colaborar com a nossa causa, saiba: Somente no ano passado 250 pessoas foram assassinadas por serem trans ou homossexuais. O nosso país é também um dos lugares mais perigosos do mundo para transexuais - que sofrem uma violência brutal e execuções sumárias. Até mesmo o Deputado Jean Wyllys recebeu ameaças de morte por defender direitos GLBT no Congresso Nacional.

Se quiser saber mais argumentos a favor e verdades e mitos sobre a PLC 122/2006, de uma olhada aqui.

Depois de saber isso, será que ainda dá pra acreditar no discurso de que o Brasil se orgulha em ter uma cultura aberta e tolerante, se colocando como líder na luta por proteções aos direitos humanos no mundo e que não há motivos para a aprovação de tal lei?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Classificação indicativa sem preconceito


Num dos posts do blog Muque de Peão, o Luciano afirmou que "o caminho das conquistas LGBT no Brasil já está bem desenhado, e passa longe do nosso Congresso dominado por lideranças religiosas atrasadas e pelo fisiologismo vergonhoso. Nossas vitórias serão conseguidas pelo Judiciário".

Quando eu li isso, pensei que era bem provável ele estar certo e agora li um fato que pode ser uma das comprovações dessa teoria.

O Ministério da Justiça está promovendo até Abril um debate - no site Culturadigital.br/classind - que definirá critérios para determinar a idade e o horário de programas de televisão e outras atividades culturais sujeitas a classificação indicativa. Neste tópico aqui, eles estão discutindo sobre o beijo gay.

Como a idéia é captar manifestações da sociedade, seria bom a gente aparecer por lá e dar nossa opinião.

E, a julgar pela frase que inicia o tópico sobre o beijo gay, esse debate está bem favorável a nós: "Um beijo gay e um beijo heterossexual são exatamente a mesma coisa do ponto de vista da classificação indicativa”.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E a mesma história de novo...

Bom, estava eu feliz ao ler uma matéria que fala, dentre outras coisas, a respeito da análise de especialistas em direito constitucional afirmando que o PLC 122/2006 é constitucional e não ameaça a liberdade de expressão. Afinal, alguma opinião lúcida!

PORÉM, ao procurar um link pra poder publicar aqui no blog, encontro essas duas páginas aqui e aqui lotadas de preconceito de cunho fundamentalista religioso. Tô até com preguiça de comentar... Aff...

Eu fico me perguntando "Por que?"!!! Dá um desânimo, uma sensação de que nada vai mudar...

Nessas horas, dá uma tentação de agir como essa música:



Mas não é odiando esse pessoal que a gente vai chegar em algum lugar, não é? Assim a gente só perde a razão. Mas que dá uma vontade de ser um "menino mal", ah, isso dá...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pra rir e refletir

Encontrei essa postagem no blog Homens Discretos. Ela é tão boa que resolvi repostar aqui. Vale a pena pra rir e refletir:


10 razões para rejeitar o casamento gay


1- Ser gay é anti-natural. Pessoas decentes rejeitam coisas anti-naturais como poliéster, computador e ar-condicionado.

2- O casamento gay vai encorajar as pessoas a serem gays também, da mesma forma que ser amigo de pessoas altas te deixará mais alto.

3- Legalizar o casamento gay abrirá as portas para todo tipo de maluquices. Algumas pessoas poderão até querer casar com seus animais porque um cachorro pode ler e assinar um contrato de casamento e chamar um advogado caso queira o divórcio.

4- Casamento hetero está aí há um tempão e não mudou nada: mulheres ainda são propriedade, negros não podem se casar com brancos e o divórcio é ilegal.

5- O casamento hétero perderia seu significado se o casamento gay fosse permitido: a santidade do casamento de 48 horas da Britney Spears seria destruída.

6- O casamento hétero é válido porque produz crianças. Casais gays, inférteis e idosos não podem se casar porque nossos orfanatos não estão lotados ainda, e o mundo precisa de mais crianças.

7- Obviamente, crianças adotadas por gays se tornarão gays, uma vez que casais héteros sempre criam crianças hétero.

8- O casamento gay não é aprovado pela religião. Numa teocracia como a nossa, os valores de uma religião são estendidos ao país inteiro. É por isso que nós só temos uma religião no Brasil.

9- Crianças nunca teriam sucesso na vida sem um exemplo masculino e um feminino para seguir em casa. É por isso que nossa sociedade proíbe que crianças sejam criadas por pessoas solteiras, divorciadas ou viúvas.

10- O casamento gay mudará as bases da sociedade; nós nunca nos adaptaríamos às novas normas sociais. Exatamente como não nos adaptamos à globalização, à democracia e à expectativa de vida mais longa, entre outras coisas.



Veja as consequências:

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre os últimos ataques homofóbicos


Vou republicar abaixo o comentário de um leitor que traz algumas notícias tristes e importantes:

Por favor, urgente:

Hoje todos os jornais estão divulgado MAIS UM ataque na região da Paulista, na Frei Caneca, um skinhead com soco inglês…
E estamos perdendo feio lá no site do Conselho Regional de Psicologia de Santa Catariana, a maioria na enquete é contra a PL 122/2006. Eu fico me perguntando do que essa gente tem medo. Quem puder, entra lá e vote “SIM”, por favor...

http://www.crpsc.org.br

Outra coisa, nem sei se gostam do Jabor nestas bandas, mas o que ele falou e como falou hoje, em nossa defesa, em “Covardes atacam homossexuais corajosos” merece emoção e aplausos. Ouçam aqui.

Obrigado,
Ricardo Aguieiras




Eu é que agradeço a colaboração, Ricardo!
Só lamento que esta notícia tenha que ser dada...
Abração!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E precisa mesmo da PLC 122?


Estava lendo o blog do Don Diego e achei esse texto muito bacana. Vou publicá-lo aqui no meu blog tb.

É um texto do colunista João Ximenes Braga no Caderno ELA do jornal O Globo deste sábado, 27 de novembro

Luz Fria


Luz branca não favorece ninguém, não há pele que resista a tamanho choque de realidade. Sobretudo se a lâmpada for quebrada em seu rosto, de repente, do nada.

Sim, estou falando de uma das vítimas dos quatro jovens que saíram da balada — só assim me digno a usar esta palavra — às seis da manhã e entraram num dia de fúria homofóbica em plena Avenida Paulista.

O mais curioso deste episódio foi a posição do advogado de um dos beócios. Quando os pimpolhos foram soltos (da primeira vez), o doutor Orlando Machado disse que não houve um ataque homofóbico.

— Eles atacaram e foram atacados, foi uma questão de uma briga (sic), não uma agressão. O motivo da briga foi uma ameaça ou uma agressão ou uma paquera que um deles teria recebido — disse Machado na TV.

Como é que é? Uma agressão OU uma paquera? Devo ter entendido errado. Voltei o vídeo várias vezes no youtube, a conjunção que ele usava era essa mesma: “Ou”.

No fundo, ele queria dizer que tanto faz. Vindo de um gay, uma paquera é o mesmo que uma agressão, logo, justifica a lâmpada quebrada na cara.

Não há por que se espantar com a declaração. O cara é advogado, e todos sabemos que até o pior dos criminosos tem direito a defesa.

Mas eis que, dias depois, surge na TV o vídeo gravado por uma câmera de segurança mostrando que a vítima sequer havia percebido a existência de seu agressor até levar a lâmpada na cara.

Diante disso, o doutor Orlando se retirou do caso.

Não havia mais a suposta cantada. Era como se, num caso de estupro, de repente descobrissem que a vítima estava de calças compridas largas e paletó, e não de minissaia e top.

Não havia mais como culpar a vítima.

Poucas horas depois da lâmpada estourar no jovem paulistano, um carioca que celebrava a Parada Gay entre amigos foi agredido, ofendido e, por fim, baleado por um sargento do Exército no Arpoador.

O rapaz fez a denúncia. Qual a primeira atitude do Comando Militar do Leste?

Divulgar uma nota negando a mais remota hipótese de o crime ter partido de um militar.

Não mando em ninguém além de mim mesmo, mas fico me imaginando se tivesse poder e responsabilidade sobre outras criaturas.

Digamos, se fosse dono de um galinheiro. O vizinho vem me dizer que uma de minhas galinhas ciscou no terreiro dele, qual seria minha atitude?

Vou pedir pra ele esperar, vou ao galinheiro checar se as penosas estão todas no poleiro, bater um papo com elas, me certificar de que nenhuma delas andou pulando a cerca de noite.

O CML não se dá a esse trabalho. Nega antes de contar as galinhas.

Alguns dias depois, a vítima declarou em depoimento que o agressor usava uma farda azul.

O exército se apressou em soltar uma nota dizendo que ninguém usava farda azul e a imprensa on-line logo embarcou na onda:

“Exército desmente”,

“Exército contraria depoimento”.

O rapaz levou um tiro à noite, caramba! Mas antes de presumir que a vítima possa ter se confundido, preferiram tentar desacreditar o depoimento.

Quando finalmente o sargento foi preso e, confrontado com as provas, confessou o crime, o CML pediu desculpas?

Não, mas a subprefeitura da Zona Sul mandou fechar o parque Garota de Ipanema à noite porque ele vinha sendo usado “para a prática de atos libidinosos”.

Se atos libidinosos são praticados no parque e isso incomoda os moradores, que se passe o cadeado.

Mas o senso de oportunidade não poderia ter sido pior. Uma mulher é estuprada num estacionamento? Fecha o estacionamento.

O moleque levou um tiro e sofreu diversas agressões por parte de beócios fardados cujo soldo é pago pelos impostos dos pais dele.

E o grand finale é o parque ser fechado por “atos libidinosos”. Se isso não é culpar a vítima, eu não sei o que é.

Ressalva seja feita, em ambos os episódios a polícia se saiu bem tanto na condução da investigação quanto na lida com as vítimas.

Mas os ataques aconteceram na avenida Paulista e no Arpoador. E se tivesse acontecido igual, na periferia ou na favela?

Um dos argumentos mais comuns entre os opositores do PLC122 é que a dita lei que criminaliza a homofobia transformaria os gays em seres com proteção especial.

Na verdade, esse projeto de lei pouco faz além de equiparar a discriminação
por orientação sexual a outras — digamos — divisões humanas já amparadas por lei tais como gênero, procedência nacional e religião.

E na prática, esses dois episódios de violência provaram que há necessidade, sim, de proteção especial.

Quando um advogado abandona o caso porque não pode mais culpar a vítima, nada mais precisa ser dito sobre como o sistema vê a violência homofóbica.

E-mail para esta coluna:
jxbraga@gmail.com

sábado, 28 de agosto de 2010

Sobre as migalhas que nos alimentam




Bom, no post anterior eu falei do ex-Power Ranger azul assumindo sua homossexualidade publicamente. Agora, acabo de ler aqui que o ministro do Sistema Penitenciário do Reino Unido, Crispin Blunt, também entrou pra lista da irmandade...

Além dessa notícia, teve também a que o Don diego repassou em seu blog sobre composição de renda para crédito de casais homossexuais. Como ele disse, conseguimos mais uma!

É muito bom pensar que, mesmo que seja aos poucos, as boas notícias estão chegando. São pessoas que ajudam com a visibilidade dos gays, o mercado consumidor mostrando que começa a nos respeitar...

Porém, esse raciocínio me lembra das minhas aulas de história em que um professor me falou que a escravidão dos negros africanos só chegou ao fim porque os brancos precisavam expandir o mercado consumidor. E, como um escravo não compra, era melhor que os negros também recebessem um salário para poder gastá-lo e ampliar o mercado consideravelmente. É uma história triste, mas faz-me pensar que mesmo de interesses menos nobres, podem nascer boas coisas! Isso acontece um pouco hoje com a causa gay: o mercado e a mídia, interessados em mais lucro, estão nos auxiliando a conquistar direitos.

Mas isso é suficiente para uma mudança efetiva? A longo prazo, talvez. Utilizando a mesma comparação entre racismo e homofobia, podemos pensar que o racismo diminuiu e muito ao longo desses 122 anos da abolição no Brasil. Mas ainda existe. Está ainda em declínio ou estacionou? Quero acreditar que sua tendência é desaparecer. E que processo semelhante talvez aconteça com a homofobia.

O triste é estimar um prazo semelhante para diminuição efetiva do preconceito. Mais triste ainda é pensar que espero que causas menos dignas nos ajudem. Que fico feliz com notícias parcas assim. Que fico feliz com migalhas.

Toda ajuda é bem-vinda, mesmo vinda das mãos do diabo. Reintero, antes que as críticas chovam, que ajuda é sempre bem-vinda sim, mas não a qualquer preço! As migalhas me servem de alimento para a esperança, para que eu não pire de vez. Apesar de me reconhecer miserável, quando ajo assim, feliz com migalhas, prefiro ignorar essa minha condição e manter minha sanidade.

E ouso até a propor um brinde (com suco, por favor, que eu não bebo nada alcoólico). Um brinde às migalhas. A lá Deus lhe pague!
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