
Alguns fatos que ocorrem em nossas vidas promovem reflexões e nos fazem reavaliar o caminho que seguimos. E hoje eu fiquei um pouco pensativo com uma situação que eu percebi, mas fiz que não. Acho que maridão descobriu o blog. Não tenho certeza e talvez esteja até muito enganado, mas confesso que isso não me preocupa tanto.
Aqui é um espaço que, desde
a proposta original tem como meta me permitir refletir. O anonimato e o segredo sobre a existência desse blog sempre tiveram o objetivo de eu poder me expressar mais livremente, sem me preocupar muito em não "atingir" ninguém diretamente, além de, é claro, preservar as pessoas envolvidas em algumas histórias que conto. Outro objetivo que, acredito estar bem claro, é evitar que a participação de pessoas próximas interfiram nesse meu "processo terapêutico e de auto-conhecimento", cujo o controle e coordenação eu mesmo faço. Apesar de eu rever algumas posturas que adoto para melhor adequar o processo, creio que o objetivo em si não se perdeu, visto que "Auto-análise" e "Sobre mim" são atualmente dois dos marcadores com maior quantidade de posts (respectivamente 15 e 20).
Assim, percebo que o mais importante, eu estou fazendo: esse canal de trocas que me auxiliam nessa reflexão a que me proponho, além de se constituir um registro para "análises retroativas".
E, tirando esses motivos que eu listei para manter o anonimato e o segredo, não existe um medo em dizer o que aqui escrevo. Tudo que eu digo aqui neste espaço eu o faria na vida real, principalmente se fosse questionado a respeito. Mas porque nem sempre o faço então?
Um dos motivos é que eu realmente tenho dificuldade de me expressar e o blog funciona como exercício de expressão. Sou muito fechado e o treino que faço aqui eu tento levar para a vida real.
Outro grande motivo é o "exercício de individualização" que esse blog me proporciona. Eu acredito que, quando estabelecemos uma convivência intensa com alguém (no caso de pais e filhos, cônjuges, amigos muito próximos), corremos o risco de misturar as coisas e confundir o limite do que é meu e do que é do outro. É fácil perder a noção de que precisamos de coisas que sejam só nossas e começamos a viver a vida do outro ou obrigar que o outro viva a nossa vida. Essa bagunça gera conflitos desnecessários e desperdício de energia psíquica, além de abrir a porta para certos problemas como, por exemplo, a "anulação" de um dos envolvidos.
Por isso eu acredito que há momentos, coisas e rituais que devam ser mesmo só do indivíduo. Se um gosta de um certo programa de TV e o outro não, eis aí um momento que é do indivíduo, não do par. Se um quer ir a uma festa e o outro não, acredito que é muito interessante para a qualidade do relacionamento que o primeiro vá e tenha seu momento. É uma forma de investir no relacionamento sem violentar a individualidade da pessoa. Afinal, quando eu quero um relacionamento, eu quero o melhor para a pessoa, que ela seja cada vez mais ela mesma e não apenas um objeto do meu desejo. E nisso, exijo reciprocidade.
O certo é que, mesmo que o maridão tenha descoberto o blog, não vou torná-lo diferente por isso. Esse espaço tem sim me ajudado muito a refletir e as opiniões das pessoas que leem isso aqui me ajudam muito a conseguir lançar outros olhares sobre o que discuto nas postagens (obrigado leitores, beijos!). Talvez eu tenha "perdido" um dos meus exercícios diários de individualização, mas se isso aconteceu mesmo, vejo estampado na reação por parte do maridão no episódio da descoberta que existe entre nós uma grande sintonia e um grande respeito, acima do amor bonito que cultivamos. Porque, se ele realmente sabe da existência desse blog, ele conseguiu captar que era um espaço só meu e respeitou a minha individualidade ao invés de me pressionar a fazer uma "revelação". Uma prova de que ele não quer apenas me sufocar com uma dominação disfarçada de amor.
E, se for isso mesmo, terei ainda mais orgulho da relação bonita que estamos construindo. Porque ela é feita de detalhes que se somam. Pequenos carinhos, pequenos cuidados, pequenos gestos de respeito. E até pequenas declarações de amor diárias feitas sobre as mais diversas formas. Inclusive no silêncio.
Nessa relação, somos indivíduos que comungam de um projeto de vida. Eu o admirando por perceber que ele é uma pessoa melhor a cada dia. Ele usando de compreensão com minhas falhas, mas percebendo que eu luto a cada dia para superá-las. E cada um enxergando nas sutilezas a dedicação que cada um tem no sentido de construir algo, não apenas bonito, mas bom para cada um de nós.