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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Minha Cã, Minha filha

Lembram daquela situação sobre a minha cã e meu Maridão bipolar muito louco? Então, eu não contei o desfecho dela, né??? Aquilo deu uma grande reviravolta, que nem eu esperava que fosse chegar onde chegou. Este episódio foi tão marcante que me fez reavaliar muitas coisas na minha vida. Pois bem! Vamos lá!

Uma das coisas que eu tive que rever foi o sentido do meu casamento. Numa das inúmeras brigas por conta da cachorrinha, Maridão me disse (após eu colocá-lo contra a parede) que ele não tinha interesse em concretizar nenhum dos planos que fizemos juntos. Isso mesmo: ele não sonhava em construir nada comigo! Nem ter filhos, nem mudar de cidade, nem ter cachorro,  nem nada! Todos os planos que ele antes disse que queria, na verdade, não eram seu desejo. Ele disse que queria tudo aquilo somente porque sabia que eram coisas importantes pra mim, mas que pra ele iria ser pequenos sacrifícios. A ideia dele era só trabalhar com o que ele gosta e esperar a morte chegar. Como eu não casei para realizar meus planos, mas para construir planos e realizá-los em conjunto, de repente me via sem saber o que esperar do amanhã. Por consequência, para mim que acredito que a principal razão de ser de um casamento é possibilitar que duas pessoas realizarem juntas seus planos de vida, de repente não havia mais sentido em meu casamento. Isso fez uma cascata de pensamentos surgir e se destruir e surgir outras cascatas, até que passei a reavaliar cada componente da minha vida e sua real importância para mim. No fim, concluí que valia pagar o preço de deixar alguns planos para trás, em nome deste meu casamento.

Marido também reavaliou as coisas e pediu mais um tempo para se acostumar à nossa cachorrinha. Isso me gerou mais angústia, à princípio, porque se ele não se acostumasse a ela, teríamos que disponibilizá-la para a adoção. E, ao meu ver, quanto mais tempo ela ficasse conosco para depois ser rejeitada, mais ela e eu sofreríamos depois.

Acabou que ela ficou de vez e hoje, minha "Cã" é a filha que faltava neste casamento. Ela veio e, aos poucos, encheu essa casa de alegria!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Resumo da Ópera

Estive pensando que seria importante contar o que mudou durante a minha ausência por aqui. Ainda não sei como fazê-lo e depois de muito pensar sem chegar a uma decisão, resolvi apenas escrever, sem compromisso de nada. Vou me deixar guiar até o final deste texto e ver o que sai. Muita coisa realmente se modificou em mim e na minha vida, enquanto outras apenas confirmaram que o melhor é ser como são.

Continuo casado com o Maridão, e nisso não sinto que há nada a se modificar. Continuo a descobrir que o amor é construído no dia-a-dia e em cada ação (ou omissão). Maridão não é perfeito, obviamente, nem eu o sou. E não tenho com ele uma pretensão de viver um amor eterno, que isso não existe. Eu apenas concordo com Lô Borges quando diz que "eu só preciso ter você por mais um dia". Acho que é por isso que todo dia eu digo a ele que quero continuar esse casamento. Desta maneira, nada a se alterar nesse aspecto.

Com relação a minha família, talvez aqui eu tenha feito a maior mudança. Eu guardei um rancor e uma mágoa muito grande de cada um deles e, não nego, foi algo muito importante. Sem a força desse ódio, eu nunca sairia do lugar, da minha depressão. Mas não tenho mais a necessidade de cultivar isso em mim. Esses são, agora, sentimentos que só me fazem mal, porque me prendem a uma dor e não me acrescentam nada de positivo. Agora eu consigo ver que, apesar de todo mal que meus pais e meu irmão me fizeram, eu os amo. E o amor deles é algo caro para mim, mesmo que de uma forma torta e equivocada. Não estou dizendo que eles podem voltar a fazer o mal que me faziam ou que eu vou simplesmente esquecer o que eles me fizeram. Estou num processo de perdão, onde quero esquecer a dor que me corrói ainda. Creio que quem mais precisa de perdão nessa história não é ninguém da minha família: sou eu. Eu nunca me perdoei por deixar minha família me machucar. Hoje quero aprender a ter deles o afeto que eu preciso, sem deixar que eles me machuquem. Estou tentando descobrir como fazer isso.

No trabalho mudaram algumas coisas. Continuo trabalhando com Educação, mas muito em breve estarei atuando também na área da Saúde. Decidi que quero mesmo muito ter filhos e que, se for preciso me matar de trabalhar para isso, que assim seja. tudo tem seu preço e sempre preferi pagar caro por algo que quero muito que ser infeliz com uma pechincha.

Durante esse tempo em que estive ausente, me envolvi em atividades de militância numa ONG de defesa dos direitos LGBTs. Foi uma experiência muito bacana. Conheci muita gente e entendi melhor o cenário político/social brasileiro. E uma coisa triste foi ver que pouca gente se dispõe a se envolver. Saí da ONG porque não dava pra conciliar meus planos de vida imediatos com o trabalho voluntário. Além disso, confesso que me senti enormemente angustiado de ver tanta coisa a ser feita e tão poucas pessoas dispostas a ajudar. Infelizmente eu não consigo conviver com essa angústia de forma saudável.

Bom, acho que é isso! É tão difícil fazer uma síntese dos últimos meses, mas creio que consegui. Ainda estou meio "enferrujado" para a escrita, mas daqui a pouco eu retomo jeito. Assim espero!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Véu e grinalda: detalhes

Cena 1: Estou me aprontando para ir ao cartório. Maridão está acertando o tamanho da minha barba usando uma tesoura. Ele olha bem no fundo dos meus olhos. O sentimento é o mesmo.

Cena 2: Chamamos um táxi para ir ao cartório. Sugerimos que minha Cunhada 220v fosse no banco da frente, por dois motivos: deixar os noivos juntos no banco de trás e tentar seduzir o taxista com a beleza de suas pernas e nos conseguir um desconto na corrida (#Aloka! rs). No banco de trás, vou conversando amenidades e segurando a mão do Maridão. Quando descemos do táxi, descobrimos que o esforço da minha Cunhada 220v foi em vão: o taxista era gay.

Cena 3: Chegando no cartório, já havia uma câmera fotográfica apontada para nós. Amiga Elétrika estava lá nos esperando em seu posto de fotógrafa oficial. A Prima Anja também nos aguardava junto da Amiga Elétrika. As duas tinham um sorriso de pura luz. Meu irmão trabalhava no balcão de recepção do cartório. Desviou o olhar quando nos viu.

Cena 4: Dentro do cartório, raras eram as pessoas que se interessavam pela movimentação que nos envolvia. Depois de assinar todos os papéis e pagar as taxas, Maridão e eu trocamos as alianças e nos beijamos. A nossa volta, três mulheres com os olhos úmidos.

Cena 5: A noite, na nossa festinha, dois bolos estavam em cima da mesa. Arrumaram 4 velas verdes de formato espiral (???), colocaram duas em cada bolo e cantaram "Parabéns pra você" (???????). Tudo bem que a data era entre os aniversários meu e do Maridão, mas era o nosso casamento, né? No final da canção, as pessoas só bateram palmas ao invés de gritar "Viva o fulano". Falei que deviam ter começado a cantar da parte do "Com quem será?" e dei um beijo "daqueles" no Maridão. Flashs pipocavam de todos os lados. Me senti protagonista de um casamento da família real britânica.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"De papel passado" ou "Dicas para sua União Estável (de quem já registrou uma)"

Agora é oficial: eu e o Maridão fomos ao cartório registrar nossa união estável. Mais casado que isso, só entrando na justiça e pedindo a conversão do registro de união estável para casamento. E foi tudo bem mais simples do que imaginamos.

Antes de mais nada, procuramos um advogado do Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte (CRLGBT-BH) que, além de esclarecer nossas dúvidas sobre os procedimentos para o registro, nos deu uma aula de Direito de Família.

Depois, conversamos com um casal de amigas de uma vizinha do condomínio (e descobrimos que este casal foi o primeiro a registrar em BH sua união estável após a histórica decisão do STF) para saber de detalhes práticos a respeito do cartório. Elas disseram que era tudo muito simples e bastava agendar com o cartório e tudo era feito na hora, sem necessidade de testemunha ou de um advogado presente (confirmando o que o advogado do CRLGBT-BH nos havia informado). Indicaram um cartório de notas do qual gostaram muito do atendimento e a grande ironia é que é neste cartório que meu irmão trabalha(!). O Maridão, como é fã de um serviço bem feito, indicado e aprovado por terceiros, sugeriu que fizéssemos por lá mesmo. Por mim, sem problemas.

No mesmo dia, compramos um par de alianças (sim, estou pagando língua...) e fomos ao cartório confirmar detalhes como disponibilidade na agenda deles. Lá, descobrimos que não seria o meu irmão a registrar o nosso "casório" (ele trabalha em outro setor) e que o cartório já está fazendo o registro da escritura pública sem necessidade de agendamento (o volume de registros nesse cartório de BH é de "apenas" entre 4 a 5 uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo por mês). Meu irmão fez o registro para reconhecimento de firma (ai dele se implicasse com minha assinatura!) e decidimos voltar na data combinada para registrar tudo.

Porém, quando chegamos em casa, Maridão que é daqueles homens muito mais que precavido decidiu voltar ao cartório e agendar mesmo assim. Afinal não é preciso agendar, mas já que existe essa possibilidade, porque não aproveitá-la e diminuir as chances de ter que mofar na fila? Pois foi a nossa sorte! Durante o agendamento, descobrimos que seria necessário utilizar uma certidão de nascimento atualizada, cuja via tenha sido emitida há, no máximo, 90 dias. Como Maridão é natural de uma cidade do interior de Minas Gerais, não daria tempo de fazer tudo até a data que escolhemos. Assim, adiamos para quando a minha cunhada, irmã do Maridão (que chamarei de Cunhada 220v), pudesse trazer do interior uma via atualizada desse tal documento.

Nós havíamos decidido não fazer festa nenhuma, já que nem eu nem o Maridão temos paciência pra festa. Mas, com a Cunhada 220v chegando só para o casório e com a pressão dos amigos que prometeram invadir nossa casa e comemorar "na marra", resolvemos fazer uma reunião para a qual chamamos apenas os amigos mais íntimos. E como é difícil ter uma lista com número muito limitado! Dá vontade de ou chamar todo mundo ou não chamar ninguém! E acabou que, como foi de última hora, não deu pra chamar muita gente e muita gente não pôde vir. Resultado dessa da história: comemoraçãozinha pequena, mas aconchegante!

Na semana que antecedeu a nova data, fiquei absorvido entre os compromissos profissionais e os preparativos para o "casório". No tão aguardado dia, foi tudo muito simples mas marcante, realmente. Chegamos na hora programada, assinamos o documento já previamente preparado quando agendamos, pagamos as taxas, trocamos as alianças compradas e fim. Tudo muito rápido. Agora é viver!

Abaixo, ficam as dicas (de um leigo que passou pela experiência) para quem quiser registrar sua união estável:

  • CONHEÇA O QUE DIZEM AS LEIS: Não é obrigatório, mas, se tiverem oportunidade, conversem com um advogado que entenda bem sobre direito de família. E, se possível, que entenda das questões específicas dos cidadãos LGBTs. Entrar num casamento (ou numa união estável) conhecendo todas as implicações legais (e o leque de possibilidades que se abre) pode ser de grande valia e ajuda a evitar dores de cabeça futuras. Não que seja o momento para pensar no pior, mas é preciso considerar situações nada românticas que podem vir, como a morte de um dos companheiros, separação, adoção de filhos, financiamento de imóveis, declaração de imposto de renda, doença ou invalidez, etc. Se vocês não conhecem um bom advogado e/ou não podem pagar pela consultoria de um, procure saber se na sua cidade existe alguma assistência jurídica oferecida para cidadãos LGBT (que pode ser ofertada pelo governo ou por ONGs).
  • REGISTRE O DOCUMENTO CORRETO NO LOCAL CORRETO: Procure um cartório do tipo "tabelionato de notas" em sua cidade que faça escrituras públicas de união estável. Contratos feitos entre as partes como se fosse uma sociedade empresarial são coisas do passado. Se o cartório escolhido oferecer a possibilidade de agendar esse tipo de serviço, pode ser uma boa opção para agilizar o atendimento no dia e evitar contratempos que possam adiar a declaração.
  • O QUE VOCÊ VAI PRECISAR PARA FAZER: Documentos como Carteira de Identidade, CPF e Certidão de Nascimento emitida a, no máximo, 90 dias (todos os documentos originais e cópias) dos dois cônjuges. Também é preciso ter firma reconhecida (no próprio cartório, de preferência) antes de realizar o registro propriamente dito, para que sua  assinatura  tenha validade. E, apesar de ser algo óbvio, vão aí mais duas dicas: É preciso estar desimpedido para declarar a união estável (estarem ambos solteiros ou divorciados judicialmente -  a via da certidão de nascimento atualizada serve para confirmar isso); e é preciso que os dois estejam fisicamente presentes no momento do registro da escritura pública. Não dá pra fazer isso por procuração!
  • QUANTO SE PAGA: Além das fotocópias dos documentos, as vias atualizadas das certidões de nascimento (aproximadamente R$25,00 cada), existe uma taxa a ser paga para esse tipo de serviço, e o valor geralmente é tabelado por lei em cada estado. Aqui em Belo Horizonte, na data em que fiz o registro (Fevereiro de 2012), a taxa estava por volta dos R$50,00.
  • O QUE NÃO PRECISA: Para um casal em que ambos sejam maiores de idade, não é necessário que se elabore um documento prévio, nem há necessidade de testemunhas, menos ainda é necessária a presença de um advogado no dia do "evento". O regime de comunhão parcial de bens é subentendido como o regime escolhido pelo casal e não é preciso declará-lo. Caso não seja esse o desejo do dois, é preciso declarar qual o regime pretendido no ato do agendamento/registro da escritura pública.
PS: Bom, é isso! Este post foi meio "jornalístico", mas é que eu precisava dar a notícia. O próximo post será um relato mais intimista desse acontecimento. Felicidades para todos e todas!

PS2: Fiz um post em resposta aos emails que recebo pedindo ajuda para encontrar cartórios em BH. É só ler aqui!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Trair or not trair?

Outro dia estava conversando com um amigo e ele me perguntou se eu traio. Isso já foi assunto neste blog e volto a dizer que esta não é uma resposta fácil de se dar. Porque traição pra mim é algo relativo.

Já estive num namoro aberto e já estive em outras relações com menos abertura. E, em cada caso, havia um limite diferente do que era considerado traição. Assim, como fazer quem está de fora compreender uma dinâmica própria e que diz respeito apenas aos envolvidos? Meu impulso foi responder a esse meu amigo um sonoro "não te interessa", mas achei que um "não" me pouparia uma discussão que o tempo não permitiria ter com a qualidade que eu gostaria e não passaria uma agressividade que não havia.

Certa vez, uma grande amiga minha (que está distante por um motivo e outro, mas não é menos amada por isso) me mandou um texto da Marta Medeiros que diz que muitos relacionamentos se baseiam num modelo que ela chama de "brincar de caverninha", dada a forma pré-histórica como são construídos (na visão da autora). Minha amiga se queixava de não conseguir ser "moderna" e eu respondi que ela não tem essa obrigação.

Nunca pensei que os limites da traição são estabelecidos conforme a "modernidade" dos envolvidos, mas sim conforme o que menos agride cada parte. Pra mim, moderno mesmo é a manifestação do respeito, seja dentro de regras rígidas ou dentro da maior flexibilidade possível. E a rigidez ou a flexibilidade devem ser escolhidas de forma que todo mundo envolvido seja capaz de cumprir sem se sentir sacrificado por demais (para que ninguém seja mais ou menos "moderno" apenas por uma obrigação).

Relacionamentos exigem renúncias, com certeza, mas não anulação em prol do outro. Assim, o respeito se baseia em escolher a opção em que não haja nem limites amplos demais nem limites sufocantes demais para todos. Meu limite mais amplo, por exemplo, está em não me importar com sexo ou beijo com terceiros desde que a pessoa não se envolva emocionalmente. Mas como estou não estou só no meu casamento, o limite estabelecido entre eu e o Maridão não é esse.

E para você? O que é considerado traição?

sábado, 12 de novembro de 2011

Um Pote de Ouro pra reluzir o amor


Alguns fatos que ocorrem em nossas vidas promovem reflexões e nos fazem reavaliar o caminho que seguimos. E hoje eu fiquei um pouco pensativo com uma situação que eu percebi, mas fiz que não. Acho que maridão descobriu o blog. Não tenho certeza e talvez esteja até muito enganado, mas confesso que isso não me preocupa tanto.

Aqui é um espaço que, desde a proposta original tem como meta me permitir refletir. O anonimato e o segredo sobre a existência desse blog sempre tiveram o objetivo de eu poder me expressar mais livremente, sem me preocupar muito em não "atingir" ninguém diretamente, além de, é claro, preservar as pessoas envolvidas em algumas histórias que conto. Outro objetivo que, acredito estar bem claro, é evitar que a participação de pessoas próximas interfiram nesse meu "processo terapêutico e de auto-conhecimento", cujo o controle e coordenação eu mesmo faço. Apesar de eu rever algumas posturas que adoto para melhor adequar o processo, creio que o objetivo em si não se perdeu, visto que "Auto-análise" e "Sobre mim" são atualmente dois dos marcadores com maior quantidade de posts (respectivamente 15 e 20).

Assim, percebo que o mais importante, eu estou fazendo: esse canal de trocas que me auxiliam nessa reflexão a que me proponho, além de se constituir um registro para "análises retroativas".

E, tirando esses motivos que eu listei para manter o anonimato e o segredo, não existe um medo em dizer o que aqui escrevo. Tudo que eu digo aqui neste espaço eu o faria na vida real, principalmente se fosse questionado a respeito. Mas porque nem sempre o faço então?

Um dos motivos é que eu realmente tenho dificuldade de me expressar e o blog funciona como exercício de expressão. Sou muito fechado e o treino que faço aqui eu tento levar para a vida real.

Outro grande motivo é o "exercício de individualização" que esse blog me proporciona. Eu acredito que, quando estabelecemos uma convivência intensa com alguém (no caso de pais e filhos, cônjuges, amigos muito próximos), corremos o risco de misturar as coisas e confundir o limite do que é meu e do que é do outro. É fácil perder a noção de que precisamos de coisas que sejam só nossas e começamos a viver a vida do outro ou obrigar que o outro viva a nossa vida. Essa bagunça gera conflitos desnecessários e desperdício de energia psíquica, além de abrir a porta para certos problemas como, por exemplo, a "anulação" de um dos envolvidos.

Por isso eu acredito que há momentos, coisas e rituais que devam ser mesmo só do indivíduo. Se um gosta de um certo programa de TV e o outro não, eis aí um momento que é do indivíduo, não do par. Se um quer ir a uma festa e o outro não, acredito que é muito interessante para a qualidade do relacionamento que o primeiro vá e tenha seu momento. É uma forma de investir no relacionamento sem violentar a individualidade da pessoa. Afinal, quando eu quero um relacionamento, eu quero o melhor para a pessoa, que ela seja cada vez mais ela mesma e não apenas um objeto do meu desejo. E nisso, exijo reciprocidade.

O certo é que, mesmo que o maridão tenha descoberto o blog, não vou torná-lo diferente por isso. Esse espaço tem sim me ajudado muito a refletir e as opiniões das pessoas que leem isso aqui me ajudam muito a conseguir lançar outros olhares sobre o que discuto nas postagens (obrigado leitores, beijos!). Talvez eu tenha "perdido" um dos meus exercícios diários de individualização, mas se isso aconteceu mesmo, vejo estampado na reação por parte do maridão no episódio da descoberta que existe entre nós uma grande sintonia e um grande respeito, acima do amor bonito que cultivamos. Porque, se ele realmente sabe da existência desse blog, ele conseguiu captar que era um espaço só meu e respeitou a minha individualidade ao invés de me pressionar a fazer uma "revelação". Uma prova de que ele não quer apenas me sufocar com uma dominação disfarçada de amor.

E, se for isso mesmo, terei ainda mais orgulho da relação bonita que estamos construindo. Porque ela é feita de detalhes que se somam. Pequenos carinhos, pequenos cuidados, pequenos gestos de respeito. E até pequenas declarações de amor diárias feitas sobre as mais diversas formas. Inclusive no silêncio.

Nessa relação, somos indivíduos que comungam de um projeto de vida. Eu o admirando por perceber que ele é uma pessoa melhor a cada dia. Ele usando de compreensão com minhas falhas, mas percebendo que eu luto a cada dia para superá-las. E cada um enxergando nas sutilezas a dedicação que cada um tem no sentido de construir algo, não apenas bonito, mas bom para cada um de nós.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Estamos ligados para sempre"


Hoje eu sonhei com minha ex-namorada Amiga Lua (a mesma do post sobre a minha vida ser um roteiro de novela mexicana, ou de "Manuel Almodóvar", como disse o Gato Van de Kamp). E não foi sonho bobinho, não! Foi sonho de adulto, se é que me entendem...

Acordei, além de meio molhado, um tanto quanto impressionado com aquilo acontecer assim meio que do nada e, quando pego o despertador, que também é meu celular, havia duas mensagens de texto para eu ler. Já adivinhou de quem eram não é? Sim, as duas mensagens eram da Amiga Lua.

Ela dizia que acordou com saudades de mim e que a mãe dela estava cantando logo no começo da manhã umas músicas que eu costumava a cantar pra ela durante o nosso namoro.

É claro que eu ri alto e o Maridão ficou sem entender porque. Coincidências demais? Só rindo mesmo.

Nessas horas, eu penso que só há uma coisa a fazer: compartilhar. Liguei pra ela e conversamos um bocado. Foi muito gostoso. Eu e ela, mesmo depois do fim do namoro, nos damos super bem e o papo é sempre agradável. Mas esse último papo foi especial. Tinha uma cumplicidade que há muito eu não sentia com ela. Ao ponto de ela me dizer coisas do tipo "Não adianta. Estamos ligados para sempre!" e eu concordar. Até porque não seria possível discordar dela sobre isso. Ao menos, é o que eu sinto...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O fruto do descompasso

Quando alguém manda um e-mail pra gente "só pra saber" ou quando alguém pergunta algo "por pura curiosidade", penso que é sempre questionável se não há realmente uma intenção por trás daquilo, não é? Mesmo pessoas, a primeira vista, sinceras podem ter cartas na manga ou estar preparando uma "surpresinha" que só vai chegar quando a gente menos espera.

Eis aí a gênese do meu apreço à sinceridade, mesmo que desnecessária. Simplifica a vida demais. Não é aquela postura, classicamente ligada à mulher, que diz um não querendo dizer talvez, um talvez querendo dizer sim e um sim que pode ser qualquer coisa... É por essas e outras que admiro sempre quem joga aberto e põe as cartas na mesa. Reduz-se também a chance de problemas futuros.

Muito dos problemas que vivemos é fruto do descompasso. Já seria complicado conciliar os desejos e pensamentos que cada um tem, pois somos todos diferentes dos outros, apesar de fundamentalmente iguais. Para complicar um pouco mais, ainda usamos máscaras para disfarçar aquilo que realmente queremos e pensamos. Asim, haja intuição!! É perigoso acontecer de duas pessoas que tenham objetivos muito parecidos, os mesmos pensamentos e desejos ainda sim não se entenderem.

Por isso, detesto indiretas. Podem ter certeza que não vou ficar publicando indiretas aqui neste espaço. E não é porque não sei fazer isso. Apenas sou sincero o suficiente para dizer na lata! Mas quando um recado pode ser dado em tom geral, para evitar futuras complicações, eu o farei.



"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pedagogia da libertação

Eu sou uma pessoa quase nada ciumenta e que detesta ciúmes alheios. Em mim, este sentimento está presente numa dose muito baixa e muito bem controlada. Só não tenho muito saco mesmo é das manifestações ciumentas. Ao menor sinal desse sentimento numa relação, já começo a cogitar pular fora.

Hoje, conversando com meu namorido, surgiu no assunto um papo sobre o meu Amigo Serpente. Um cara NADA comum, diga-se de passagem.

Só para ilustrar: O Amigo Serpente é um homem muito inteligente mesmo, conhecendo de assuntos variados com uma profundidade espantosa (o que me conquista fácil...). Aliás, nunca vi o Amigo Serpente se confessando ignorante num assunto... Ele não é bonito aos olhos das pessoas que tem como referência a Revista Caras, por exemplo. Porém eu vejo nele uma beleza exótica que não agradaria muita gente, mas que me apetece muito mais.... Ele tem um humor fantástico, tem um time pra piadas perfeito, um raciocínio rápido, é sagaz na arte de entrerter os outros. E muito observador, tanto que sabe imitar com perfeição qualquer pessoa que ele conhece com timbre de voz, trejeitos e tudo. Quando converso com ele, fico muito à vontade e abuso da livre associação... Nós nos damos super bem e temos até algumas liberdades entre nós que ofereço a poucos (poucos mesmo) como falar da minha vida, dos meus problemas, trocar e-mails (ainda que curtinhos), o que é sinal que ele sabe cativar até mesmo os mais resistentes. Fora que ele toca piano maravilhosamente bem, canta prakaraleo, tem um gosto musical fantástico... Vou parar porque já deu pra entender o nível do sujeito, né??

Pois bem. Eu estava conversando com meu namorido sobre ele e acho que empolguei um pouco nos elogios ao Amigo Serpente. Daí rolou o papo abaixo:

Namorido (fingindo ciúmes): Nossa, o Amigo Serpente é isso, o Amigo Serpente é aquilo... Porque vc não pede ele em casamento??

Cara Comum: Em primeiro lugar, porque eu já pedi a você primeiro. Em segundo lugar, porque ele é hetero.

Namorido (exagerando cenicamente nos ciúmes): Ah, é?? Então quer dizer que, se eu tivesse chegado depois e ele quisesse, tinha rolado??

Cara Comum: Com certeza!!! Não pensaria duas vezes!!

Namorido (entre o brincando e o falar sério): E vc fala nessa cara de pau??

Cara Comum: Gente, mas é verdade... Vc é quase perfeito e o Amigo Serpente já chegou lá, com certeza...

Namorido (agora muito sério): ¬¬

Toda essa introdução foi só pra falar que eu não gosto de iludir ninguém. Desde pequeno, nunca fui muito hábil em tornar uma resposta mais palatável e menos esclarecedora. Perguntou, tem resposta. Nem que seja "não estou afim de falar isso!" ou coisa do tipo. Foi assim que meu pai descobriu minha sexualidade (depois conto essa história que é hilária, mas não cabe nesse texto...). Foi assim que confirmei a um colega de serviço que estava pra casar que a noiva o traia com um amigo dele (por acaso, eu conhecia o tal amigo).

É um pouco de maldade da minha parte? Talvez, porque destruo a ilusão dos outros sempre com muito prazer... Mas dor também faz a gente crescer, galera! Meu lado sádico é uma pedagoga vilã de novela mexicana. Libertem-se da ilusão!! Faz um bem danado...

E também eu não acho que rola de ficar pisando demais em ovos. Sinceramente?? Não entendo esse povo que pergunta e não está preparado pra resposta. Meu caráter foi moldado inspirado em quem? Mesmo sem saber, quando garoto eu já seguia os passos dele:

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sozinho e feliz


Desculpem a ausência. Essa semana está osso e eu estou super feliz com isso (não queiram entender...).

Amanhã, pra completar, maridão vai fazer uma viagem de curta duração (tá de volta na terça) e vou ficar uns dias sozinho nessa casa enorme. Depressão?? Nenhuma!!!

Vou aproveitar pra fazer tudo o que ele não gosta de fazer e eu evito fazer com frequência para não chateá-lo. Vou ouvir muito som da pesada (Heavy Metal, uns Trash Metal e afins) no aparelho de som num volume considerável (no máximo não, porque não gosto), vou fazer brigadeiro e pipoca (que ele diz se incomodar com o cheiro), vou ver filme de suspense, vou fazer comida com menos tempero...

Falando assim, parece que a gente é bem diferente e tem uma convivência cheia de renúncias. Nem é assim. A gente combina e muito, mas não somos clones um do outro. Temos nossa individualidade. E respeitar isso significa fazer coisas que só um de nós gosta, dosando entre se realizar e não impor o programa ao outro. E tem que ser uma postura recíproca.

Mas, nos momentos em que estamos só com a gente mesmo, é que a gente pode se cuidar um pouco mais. Eu adoro ficar sozinho. Gosto da minha companhia. Gosto de poder dedicar a energia que dedico pra cuidar de outra pessoa inteiramente pra mim. Me sinto investindo mais em mim mesmo. E isso gera frutos pro outro também. Todos ganham.

É claro que a saudade vem. Mas até dela eu gosto. Porque ela me mostra de quem eu realmente gosto, quem está realmente presente na minha vida. E eu, que tenho uma dificuldade imensa para falar dos meus sentimentos, quando faço isso é sinal que a pessoa está com a moral toda. Quer dizer, estou trabalhando essa dificuldade. Talvez seja até algo próximo de superado.

Minha mãe, por exemplo, que sempre força a barra perguntando "você está com saudades de mim?", se espantou quando eu disse isso espontaneamente ao telefone. Será o sinal de mudanças que chegaram em mim e eu nem percebi?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aliança pra quê mesmo???


Estava eu sentado numa praça aqui perto de minha casa ouvindo música pra desestressar (esses dias eu estou uma pilha...) e olhando o movimento das crianças brincando, as pessoas caminhando...

Quando de repente e não mais que de repente, passa um cara com um corpo "daqueles" correndo e olhando pra mim. Como era impossível não olhar pra ele, olhei, mas sem segundas intenções. Sabe quando vc olha para alguém apenas pelo prazer estético, como se olhasse para um quadro bonito, para um jardim bem cuidado, para uma bela paisagem? Pois foi assim que olhei. E assim que ele saiu do meu campo de visão eu voltei a observar as crianças brincando, o movimento na praça...

Alguns minutos depois, estava eu distraído com a música que tocava (uma das minhas favoritas) de olhos semicerrados, quando pecebo que havia alguém sentado no mesmo banco que eu... Fiquei todo sem graça, afinal, estava cantando todo empolgado. Imagine a cena!!!

E quem havia se sentado do meu lado??? Obviamente o tal do cara que estava correndo e olhando pra mim:

- A música está boa, hein?

- É... Essa é uma das que eu mais gosto...

- E eu te atrapalho se conversar um pouco com vc?

É claro que fiquei naquela encruzilhada em que eu me sinto sempre: não quero ser seco e cortar o cara de uma vez, afinal posso dizer a ele educadamente que não estou interessado e pronto. E esse costuma ser o meu erro: normalmente escolho ser gentil...

Algumas frases depois, no meio daquelas típicas ("qual o seu nome?", "o que vc está fazendo por aqui?"), ele estava perguntando se eu tinha namoradA. Falei que não, que eu era casado. Ele retrucou:

- Mas cadê a aliança?

- Eu não uso. Eu e elE não gostamos dessas formalidades...

Ele falou que também não gostava dessas formalidades, mas que mesmo assim já tinha usado uma no passado... Falou que era complicado mesmo usar uma aliança, principalmente quando o relacionamento é entre dois homens e blá blá blá...

De repente, ele começou a defender o uso de alianças, arduamente. Como uma forma de firmar um verdadeiro compromisso.

Sei lá. Acho que concordo com Renato Russo em "1º de Julho": "Não basta o compromisso. Vale mais o coração". Uma aliança é apenas um símbolo concreto e externo de algo que deve ser mais interior que exterior. Como "vale mais o coração", acho a aliança uma coisa dispensável. Até porque parece que é uma forma de dar satisfação á sociedade: "sim! estou num relacionamento sério!". E eu não estou nem aí pra isso...

Além do que, na maioria das vezes, é um tiro pela culatra porque gera sentimentos negativos. Além da inveja, tem a curiosidade pra saber quem é a(o) felizarda(o), pra saber o que que a pessoa tem de interessante pra ser noivo(a)/marido(mulher) de alguém... Enfim, acho que chama atenção demais das pessoas de fora pra um relacionamento que só diz respeito aos envolvidos.

Podem dizer que é excesso de praticidade da minha parte, mas ultimamente eu estou evitando formalidades inúteis e aliança é uma delas! Na primeira semana de namoro falei com meu namorido que eu detesto aliança e ele disse que também não gostava. Pensei: "perfeito!". Mas ele já brincou umas duas vezes que estava faltando as alianças no dedo de cada um e eu fiquei com a pulga trás da orelha se ele estava só brincando mesmo...

Tudo bem que não deixa de ser romântico a coisa de propor algo mais sério e trocar alianças... Fora que eu tenho uma certa curiosidade pra ver como seria usar aliança... Mas é uma curiosidade que passa rápido e que não vale a pena pagar o preço de se usar uma aliança pelo romantismo que ela representa...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Balanço da viagem


Galera, ou eu preciso desabafar logo ou estou viciado em postar aqui! hehehe. Acabei de chegar de viagem e prciso loucamente escrever o que estou sentindo.

Foi um passeio bem agradável, tirando o calor e uns pequenos contratempos. Gostei muito de conhecer lugares e histórias que fazem parte da vida do meu namorido.

Boas coisas me surpreenderam: minha cunhada e meu cunhado me chamaram de cunhado e minhas sobrinhas de tio. Nem esperava que eles soubessem lidar tão bem com um preconceito que eu esperava deles. principalmente do meu cunhado. Achei muito legal ele, que é um homem bem simples mesmo, me tratar normalmente. Confesso que não esperava tamanha recepção. já a minha sogra jogou uns "verdes pra ver se colhia maduro", mas acho que não pescou nada... rsrs...

É claro que nem tudo são floeres: rolou um clima meio de namoro clandestino e proibido que me incomodava bastante. Em um momento eu fui abraçar meu namorado e ele se afastou soltando uma assim: "cuidado que esta cidade tem olhos pra todos os lados"... Pra mim a cidade que se exploda, mas respeitei ele... Aff... Fora que, para a maioria das outras pessoas, principalmente os outros parentes, eu era apresentado como "o amigo dele lá de Belo Horizonte". Fiquei um pouco chateado com meu namorado porque ele não me disse que seria assim. Aliás, fez-me pensar o contrário.

No mais, valeu a pena tirar estes dias só pra mim. Pude perceber muita coisa em mim, como por exemplo que conflitos familiares e de trabalho ainda mexem negativamente comigo. É algo que eu tenho que trabalhar melhor, afinal.

Agora é estar de volta com pique total e seguir em frente nesse fim de ano que, com certeza, ainda guarda algumas emoções...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Conhecendo "minha" outra família


Pois é, pessoal. Nos próximos dias não devo dar as caras por aqui porque vou fazer uma pequena viagem. Vou para uma cidade do interior de Minas Gerais aqui pertinho mesmo.

Estou super empolgado porque foi nesta cidade que meu namorado nasceu, viveu sua infância e adolescência. Vou poder conhecer os lugares das histórias que ele me conta e, de quebra, ganhar uma mini lua-de-mel.

Vou até conhecer a família! A irmã, com quem eu só conversei pelo telefone, sabe que sou o cunhado, mas a mãe nem imagina que o filho está namorando... Mas o bom é que eu não vou ser apresentado como "o amigo". Vou ser simplesmente o "Cara Comum" (suspense: eu manterei meu pseudônimo aqui...), sem maiores explicações de que tipo de relação existe entre nós dois.

Isso me incomoda só um pouco, mas vou aceitar a situação em respeito ao meu namorado. Ele e a mãe já tiveram muitas brigas por causa da sexualidade dele, o que culminou na sua saída de casa. Portanto, é melhor mexer com calma nessa ferida...

Ele diz que o único problema a ser enfrentado é a reação da mãe. Com a reação dos outros parentes ele não se importa. Menos mal, né? Mas mesmo assim, é uma relação desconfortável não poder ser apresentado a todos os parentes como quem eu realmente sou, o que eu represento.

São nessas pequenas coisas que a gente pode perceber onde mora o preconceito e a falta de direitos de um casal que vive uma relação homossexual. Eu fico imaginando que poderia ser bem mais tranquilo seu eu pudesse chegar e todo mundo da família soubesse que eu sou o namorado (ou marido, por que não?). Mas até isso ser uma realidade, vai ter que rolar muita água por debaixo dessa ponte.

PS: desculpem o texto mal escrito, mas é que eu estou com muita pressa pra não perder um compromiso... :). Até a volta!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sonhando com sexo


Nas duas últimas semanas tive alguns sonhos eróticos com conhecidos meus. Dois deles são colegas de trabalho e um é um ex-vizinho. Nunca havia pensado em ter nada com nenhum deles.

Achei super estranho, porque não sinto que estou num dos meus picos de desejo sexual. Ao contrário: a libido anda tão baixa que anda me preocupando (afinal, sexo não é tudo num relacionamento, mas é parte importante!).

Além disso, eu teria "alvos" de sonhos eróticos muito mais interessantes que estes que os personagens principais que estão aparecendo... ;)

Isso de ficar sonhando com sexo me incomoda muito porque sinto-me como se estivesse consumando uma traição de fato (além de ficar um pouco sem graça quando encontro o personagem do meu sonho na realidade).

Tenho para mim que sexo e amor são duas coisas bem separadas, mas acima de tudo, há que se ter respeito com as "regras" estabelecidas entre as partes no relacionamento. E, apesar de não ter sido dito, ambas as partes neste meu atual matrimônio preferem a monogamia.

Eis aí o conflito mental meio estranho de ser um cara que era praticamente um puto e que agora quer ser monogâmico...
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