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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Rola usar rola como ofensa?

Na sexta-feira da semana passada, em resposta a uma provocação via twitter, Ricardo Boechat acusou ao vivo em seu programa o malditinho do Malafaia de ser:

- Charlatão
- Homofóbico
- Otário
- Paspalhão
- Pilantra
- Explorador do suor alheio
- Tomador de dinheiro de fiel
- Explorador da fé alheia
- Figura execrável, horrorosa
- Uma pessoa que só quer palanque

Nisso ele acertou! Malafaia é tido isso e muito mais!

CONTUDO, Ricardo Boechat errou feio em muita coisa! Desde quando "procurar rola" resolve alguma falha de caráter? Só na imaginação da cultura falocêntrica em que vivemos que "problemas" como mulher brava, homem babaca, gay agindo mal, homofobia e lesbianidade se resolvem com rola. Fora isso, empregar o termo "idiota" como ofensa é usar de um capacitismo sem fim. Se posicionar contra esse otário só depois de ter recebido uma ofensa dirigida a si mesmo não é mérito nenhum.

Por isso, não vou bater palma pra hetero escroto (galera da "Band News" tá bem longe de ser "bacana"...) que usa de capacitismo, homofobia e falocentrismo pra "combater" esses vendilhões do templo contemporâneos. Só porque ele falou verdades, não vou ficar venerando opressor que reforça o patriarcado (que mata milhões de pessoas).

Enquanto qualquer um dos adjetivos que Boechat usou pra descrever Malafaia for uma ofensa for menor do que "a necessidade de encontrar uma rola", esse mundo continuará tendo pessoas com essas características nefastas (pois são "pecados menores" que o fato de se "gostar de rola"). E será normal ouvir frases como "prefiro filho bandido que viado", "a maior decepção de um pai é uma filha vadia" e coisas assim.

Aguardo ansiosamente pelo dia em que "canalha" e "desonesto" sejam ofensas muito maiores e indignas que qualquer coisa que aproxime o alvo do feminino como forma de ofensa.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Uma boa notícia! (ou Dois príncipes apaixonados)

Daí que recebi via Facebook essa notícia:

Conto de fadas com romance entre rapazes ganha versão em português


E fiquei pensando: até que enfim começam a aparecer livros assim! Num mundo onde somente o heterossexual tem espaço, um livro assim é um oásis. Crianças aprenderão, desde cedo, a não maltratar o coleguinha que ama alguém do mesmo sexo. Porque compreenderão que, no fim, tudo se trata de amor e é só o amor que importa.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Parada gay de um povo imoral e despolitizado

Dia 29 de Setembro aconteceu a Parada LGBT de BH. Infelizmente não deu pra eu ir, pois estava passando mal. Conversando com um amigo, ele disse que também não foi e nem gostaria de ir, porque acha que a parada só atrapalha o movimento e "perdeu seu caráter de contestação política".

Pra mim, esse pessoal que critica as Paradas LGBTs, dizendo que são imorais e que acontece um monte de coisa terrível lá devem se ater a fontes como as dessa notícia, que contam uma história parcial, selecionando apenas o que acontece de ruim em um evento. Daí, a maioria das pessoas pensa que o evento inteiro é formado por um bando de monstros.

Mas, sabe?? Todo lugar onde houver seres humanos, vamos encontrar transgressores. Alguns deles estão recheados de bons motivos para transgredirem opressões injustificadas. Mas outros são apenas pessoas sem noção de convivência em sociedade...

Porém também não vejo problema nas pessoas ficarem "se pegando". No carnaval, héteros fazem a mesma coisa. Acho muito moralismo querer criticar pessoas que decidem manifestar seus instintos e desejos. Por acaso alguém que afronta esse puritanismo é necessariamente pouco engajada com as causas políticas?

Sei lá. Sinto que nesse discurso existe uma barganha na tentativa de ganhar direitos. É como se a maioria opressora exigisse gays "mais comportados", que escondam sua manifestação de desejo/afetividade para que estes possam ter os mesmos direitos que ela já tem. E o que estes heteros opressores fizeram para ganhar estes mesmos direitos? Nada? Então porque somente nós temos que pagar um preço por isso?

Não estou dizendo que todos os gays sejam adeptos da pegação nas paradas, nem que todos concordem com a moralidade de tal ato, mas penso que condenar quem partilha das mesmas ideias é como extirpar a individualidade, o que fatalmente vai contra algo pelo que lutamos: o respeito à diversidade.

Contudo tenho de concordar que a maioria dos frequentadores das Paradas brasileiras não são tão conscientes politicamente falando. Mas isso não é uma questão que atinge apenas o público LGBT. O problema é que o povo brasileiro em geral não se mostra engajado na política. Esperar que os gays estivessem drasticamente distantes dessa realidade seria ignorar que os gays vivem imersos nessa mesma cultura que nos faz um país que pouco valoriza a educação, a cultura e coisas do gênero.

Ou seja: o engajamento político do gay brasileiro (e do brasileiro em geral) é uma luta com muito mais nuances do que a gente imagina...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Parada Gay de São Paulo encolheu??

É possível ver sendo noticiado em alguns portais de notícia como o Folha.com e o Estadão que a parada gay este ano teve um público muito menor que o de qualquer uma das edições anteriores. O suposto número de 270 mil pessoas representaria um retrocesso aproximado à quantidade de pessoas presentes no ano de 2001, ano em que a estimativa de público feita pela Polícia Militar (que é sempre muito menor que a estimativa da organização - como se pode conferir na wikipedia) registrava 200.000.

No ano de 2007, a Polícia Militar (que no ano anterior havia registrado um público de 2.500.000) deixou de fazer estimativas da quantidade de público e tal medida era realizada pela organização que, neste ano de 2012, resolveu não fazê-la (ou ao menos, resolveu não divulgá-la). A tarefa ficou a cargo do instituto Datafolha, que divulgou o número utilizando uma metodologia dita científica, diferente das que foram utilizadas nas edições anteriores.

Sinceramente? Eu gostaria de saber qual foi a tal "metodologia científica" utilizada. Porque uma queda de 4 milhões para 270 mil é algo realmente notável! E sabe quando a coisa tem cheiro de maracutaia? Porque a notícia vem sempre acompanhada de frases com um discurso que faz um julgamento moral embutido: "Mais comportada esse ano, parada gay atrai menos público" e frases afins.

Sabe o que eu penso disso?  Que temos que prestar atenção num contexto maior: por que razão por todos estes anos estes mesmo veículos noticiaram milhões de pessoas na Parada e justamente neste ano noticiam um contingente tão pequeno? Alguns podem dizer que meu raciocínio é muito próximo de uma teoria conspiratória, mas eu creio que há razões para suspeitar que existe uma articulação de setores conservadores na desqualificação de qualquer que seja a ação dos movimentos LGBTs. Faça o teste: procure parada+gay+2012+são+paulo+público no Google e olhe só o primeiro resultado que você encontra:

Suspeito, não?

Dê uma procurada rápida pelo Google e veja se você encontra alguma notícia que se refira a parada como uma "manifestação" e não como uma "festa"... Justamente num ano em que o tema da parada é bem mais político ("Homofobia tem cura: educação e criminalização"), parece haver uma ação para desviar o foco da cobrança por uma postura política.

O mais triste? Ver opiniões de LGBTs sendo usadas para corroborar estes discursos. Nos sites do Estadão, da Veja e do R7, a opinião da travesti Desire Viana, de 33 anos era de que a parada estava "muito mais pobre, com menos gente, menos carros, menos divulgação". Curioso notar que dois veículos de notícias distintos (e até certo ponto rivais) utilizem exatamente a mesma entrevistada para ilustrar o discurso que constroem em suas reportagens, não?

Será que a APOGLBT continuará acatando o número oficial disponibilizado pelo DataFolha, sem pedir ao menos uma auditoria nos números e na metodologia utilizada? Na minha opinião, é preciso sempre estar atento (e muito crítico) ao que se vê por aí. Os opositores estão à solta!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Rapidinhas para o feriado

Pra você que está com preguiça de ler posts "filosóficos" neste feriado, resolvi fazer um bem mais leve, dividido em duas partes. Aproveite!



Tá se preparando pra quando G-zuis ressuscitar? Pois domingo dia 08 vai rolar até concurso usando o seu santo nome. Trata-se do "Hunky Jesus Contest", um concurso que elege o "cover" de G-zuis mais "bonitão" e/ou com mais "atitude". O evento acontece em São Francisco (EUA) e é promovido há 33 anos (que número mais propício, não?) por um grupo gay radical chamado The Sisters of Perpetual Indulgence (As Irmãs Perpétuas da Indulgência). O grupo, que tem adeptos em várias partes do mundo, é composto por homens maquiados e vestidos de freiras.

Polêmico, o concurso desperta a ira de muitos religiosos e até de alguns ativistas LGBTs. Porém, o grupo afirma que tudo não passa de uma brincadeira.

Na minha singela opinião, alguns dos participantes são tão carismáticos (ou só gostosos mesmos) que arrisco a dizer que Pedro não os negaria uma quarta vez! rs. Meu preferido da edição do ano passado (2011) é o que aparece aos 4:48 do vídeo abaixo:


Pena que estou amarrado, mas não é em nome de G-zuis...



Estava dando uma olhada no site da Campanha pelo Casamento Civil Igualitário e, na seção intitulada "opinião" na qual há várias citações de pessoas importantes que apoiam o casamento de pessoas do mesmo sexo, li a seguinte fala do jornalista e escritor argentino Osvaldo Bazán:

"A criança judia sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais judeus lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe dizem por que essa noite não é como todas as noites, e contam para ele a história daquela vez em que tiveram que sair correndo e o pão não levou. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança judia que não está sozinha. A criança negra sofre a estupidez do mundo, volta para casa e lá seus pais negros lhe dizem: ‘estúpido é o mundo, não você’. E lhe falam do berço da humanidade, de um barco, de uma guerra. Dão-lhe uma lista de valores e falam: ‘Você está parado aqui’. E saberá a criança negra que não está sozinha. A criança homossexual sofre a estupidez do mundo e nem pensa em falar com os pais, porque supõe que eles vão ficar chateados. Não sabe por quê, mas eles vão se chatear. E para seus pais, o pior é crer que seu filho não é como eles (…). A criança homossexual, só por ter nascido homossexual, só por ter sido parida em território inimigo, está em guerra com a religião, com a ciência e com o Estado. Como poderá uma criança enfrentar uma luta tão desigual?"

Sabe quando você não tem o que completar? Acho que foi a vez em que vi a melhor descrição sobre a crueldade e o abandono a que a criança gay está submetida no seio de uma família (e sociedade) homofóbica.

Mas, se você é uma criança gay e está lendo isso aqui, digo pra você não desanimar com a crueldade: eu nunca senti com tanta clareza que estamos tão próximos de sermos uma sociedade menos injusta. Estamos juntos no mesmo barco e eu acredito que a tempestade vai passar!

EDIT: Confira o post seguinte, que tem um pedido de desculpas a esse post.


EDIT 2: Antes de sair esbravejando por aí e para entender melhor minha opinião, veja o terceiro post dessa sequência aqui.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Obrigado, Dani Calabresa!!!!

Viu aquela notícia sobre a bancada evangélica fazer um projeto pra poder considerar a homossexualidade como doença?? Afff...

Mas ainda existe inteligência a nosso favor!

Após todo o sarcasmo com o qual a notícia merecia ser tratada no Furo MTV, ela, Dani Calabresa, coroa esse vídeo com a frase mais lúcida e ácida que poderia ter sido dito em resposta a tal afronta. Veja aos 2:39 do vídeo:



Beijos, Dani! A gente te ama!!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Animaaaaal!!!!!!!!

Eis que a gente está lendo notícias e se depara com essa:

Sente-se direito e clique na imagem pra aumentar...

E qual a cara  que a gente faz???

sábado, 10 de setembro de 2011

Agressão homofóbica em BH

Só pra todo mundo saber que essa cidade em que eu vivo está cada vez mais foda mesmo...

Existe em BH, uma praça chamada "Praça da Liberdade". Liberdade é uma palavra forte para quem é mineiro. E, ironicamente, o medo de ir a essa praça cerceou a liberdade de muitos belorizontinos após quarta-feira - Dia da Independência. E tudo por que? Por causa de uma agressão homofóbica que foi tão parcamente noticiada.

De acordo com a Polícia Militar, as vítimas contaram que, por volta das 20h, trocavam carícias na praça quando foram surpreendidos por dois skinheads, que os atacaram com socos e chutes. Após agredir, a dupla fugiu. Porém, um deles voltou para buscar um pé de tênis que perdeu durante o ato covarde, se armou com o canivete e ainda provocou um corte no ombro de uma das vítimas que tinha acabado de agredir.

Segundo a PM, os agressores negaram ser skinhead, mas têm o estilo do grupo e com eles foi apreendido um soco inglês.



Para saber mais desta coisa lastimável (apesar do vídeo acima estar mais que completo), clique aqui.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Coisas que nem parece que são realidade...


Eu como sou radicalmente contra qualquer tipo de discriminação fiquei chocado com a notícia que li aqui de que a prefeitura de Matinhos (no Paraná) exige exames de HIV para os candidatos de um concurso público.

Como se não bastasse a obrigação deste tipo de exame (eu acredito que revelar essa condição ao ambiente de trabalho deveria ser uma opção de cada um), essa exigência tem caráter eliminatório!!!

Espero que esse povo doido mude esse edital logo e que se resolva essa situação que só tem uma palavra que a descreva: absurdo!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mudança na minha reação. Bom ou ruim?


Há algum tempo atrás (coisa de meses) eu ficaria puto, daria um piti, publicaria um post de mimimi e daria brecha pra qualquer um me chamar de bicha dodói depois de ler o que acabei de ver nesta notícia...

Hoje em dia, vejo e não tenho muita reação. Só a de quem tem a certeza de quem, em breve, isso vai ser superado. Pelo próprio ridículo da situação que não se sustenta sozinha. E por boas intervenções que, mesmo aos poucos, acabam gerando bons frutos contra esses absurdos...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Exagero da comunidade LGBT? Jô Soares x Maria Berenice Dias x Jean Wyllys

Vi a notícia do site "A Capa" falando que rolou uma certa polêmica sobre o posicionamento de Jô Soares na entrevista com Maria Berenice Dias no dia 13/06/2011.

Fui ver a tal entrevista no Youtube para tirar as minhas próprias conclusões e não vi a tal parte polêmica que falaram. Houve edição no vídeo que está disponível na internet? Ou eu perdi algo muito importante (se não for muito incômodo, peço aos atentos de plantão pra deixar o tempo do vídeo em que isso acontece)?

O caso é que eu não vi nada demais. Jô começou querendo polemizar, querendo usar argumentos que poderiam refutar a razão de ser do PLC 122/2006. Mas, por várias vezes, percebi que ele entendeu e concordou com a argumentação lúcida e clara da entrevistada.

Veja a entrevista para conferir:

quarta-feira, 11 de maio de 2011

URGENTE: 12 horas para impedir a pena de morte a gays em Uganda!


Recebi agora por e-mail a notícia de que o parlamento ugandense estava prestes a votar uma lei que prevê a pena de morte para a homossexualidade e resolvi divulgar. Quando fui ver alguma notícia na internet sobre o caso pra saber a quantas andava isto, fiquei um pouco mais tranquilo. Mas mesmo assim, espalhem pra todo mundo, gente!!! Afinal, eu não sei se a fonte da notícia de que o perigo já passou é sergura. E também porque parece que eles apenas adiaram a votação e se a gente mostrar a dimensão do nosso repúldio, talvez a gente se livre para sempre dessa sombra. Abaixo o texto do site Avaaz na íntegra:


"Em 12 horas, o parlamento ugandense pode votar uma nova lei brutal que prevê a pena de morte para a homossexualidade. Milhares de ugandeses podem enfrentar a execução - só por serem gays.

Nós ajudamos a impedir esta lei antes, e podemos fazê-lo novamente. Depois de uma manifestação global massiva no ano passado, o presidente de Uganda, Museveni, bloqueou o progresso da lei. Mas os tumultos políticos estão crescendo em Uganda, e extremistas religiosos no parlamento esperam que a confusão e a violência na rua distraiam a comunidade internacional de uma segunda tentativa de passar esta lei cheia de ódio. Nós podemos mostrar a eles que o mundo ainda está observando. Se bloquearmos o voto por mais dois dias até que o parlamento feche, a lei expirará para sempre.

Não temos tempo a perder. Vamos chegar a um milhão de vozes contra a pena de morte para gays em Uganda nas próximas 12 horas - assine agora e então divulgue a campanha!"

Link: Petição
Notícia (a única que encontrei recente): POP News / mundo (é melhor nem olhar os comentários da notícia pra não ter ânsia de vômito)

sábado, 9 de abril de 2011

Ação concreta contra Jair Bolsonaro


Realmente uma figura que deu o que falar ultimamente foi o deputado Jair Bolsonaro. Suas afirmações racistas e homofóbicas foram o grande assunto em todas as mídias nos últimos tempos. É claro que a reação tinha que acontecer. E, talvez, uma coisa repugnante como essa possa alavancar atitudes concretas em nosso benefício.

Recebi por e-mail ontem que uma comunidade de mobilização online, a Avaaz, está lançando uma petição para aprovação da legislação anti-homofobia. Essa petição será entregue em Brasilia com a ajuda do pessoal do All Out e grupos GLBT brasileiros.

Para assinar a petição, basta ir lá no site e preencher um cadastro.

Dá pra divulgar também pelas redes sociais e via e-mail.

Se precisar de argumentos para convencer alguém a colaborar com a nossa causa, saiba: Somente no ano passado 250 pessoas foram assassinadas por serem trans ou homossexuais. O nosso país é também um dos lugares mais perigosos do mundo para transexuais - que sofrem uma violência brutal e execuções sumárias. Até mesmo o Deputado Jean Wyllys recebeu ameaças de morte por defender direitos GLBT no Congresso Nacional.

Se quiser saber mais argumentos a favor e verdades e mitos sobre a PLC 122/2006, de uma olhada aqui.

Depois de saber isso, será que ainda dá pra acreditar no discurso de que o Brasil se orgulha em ter uma cultura aberta e tolerante, se colocando como líder na luta por proteções aos direitos humanos no mundo e que não há motivos para a aprovação de tal lei?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Classificação indicativa sem preconceito


Num dos posts do blog Muque de Peão, o Luciano afirmou que "o caminho das conquistas LGBT no Brasil já está bem desenhado, e passa longe do nosso Congresso dominado por lideranças religiosas atrasadas e pelo fisiologismo vergonhoso. Nossas vitórias serão conseguidas pelo Judiciário".

Quando eu li isso, pensei que era bem provável ele estar certo e agora li um fato que pode ser uma das comprovações dessa teoria.

O Ministério da Justiça está promovendo até Abril um debate - no site Culturadigital.br/classind - que definirá critérios para determinar a idade e o horário de programas de televisão e outras atividades culturais sujeitas a classificação indicativa. Neste tópico aqui, eles estão discutindo sobre o beijo gay.

Como a idéia é captar manifestações da sociedade, seria bom a gente aparecer por lá e dar nossa opinião.

E, a julgar pela frase que inicia o tópico sobre o beijo gay, esse debate está bem favorável a nós: "Um beijo gay e um beijo heterossexual são exatamente a mesma coisa do ponto de vista da classificação indicativa”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Viram essa notícia? Banheiro gay em escola de samba no Rio


Estou eu feliz, contente e inocente da vida quando abro o meu e-mail e me aparece uma recomendação de uma notícia sobre a polêmica causada pela inalguração de um banheiro gay na quadra da Unidos da Tijuca.

Li e quase ri. Sério. Com tantas prioridades a serem pautas pra se fazer em favor da comunidade LGBT, tinha que inventar o que há de mais inconveniente e polêmico???

Enquanto isso, a gente vai virando piada...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E a mesma história de novo...

Bom, estava eu feliz ao ler uma matéria que fala, dentre outras coisas, a respeito da análise de especialistas em direito constitucional afirmando que o PLC 122/2006 é constitucional e não ameaça a liberdade de expressão. Afinal, alguma opinião lúcida!

PORÉM, ao procurar um link pra poder publicar aqui no blog, encontro essas duas páginas aqui e aqui lotadas de preconceito de cunho fundamentalista religioso. Tô até com preguiça de comentar... Aff...

Eu fico me perguntando "Por que?"!!! Dá um desânimo, uma sensação de que nada vai mudar...

Nessas horas, dá uma tentação de agir como essa música:



Mas não é odiando esse pessoal que a gente vai chegar em algum lugar, não é? Assim a gente só perde a razão. Mas que dá uma vontade de ser um "menino mal", ah, isso dá...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre os últimos ataques homofóbicos


Vou republicar abaixo o comentário de um leitor que traz algumas notícias tristes e importantes:

Por favor, urgente:

Hoje todos os jornais estão divulgado MAIS UM ataque na região da Paulista, na Frei Caneca, um skinhead com soco inglês…
E estamos perdendo feio lá no site do Conselho Regional de Psicologia de Santa Catariana, a maioria na enquete é contra a PL 122/2006. Eu fico me perguntando do que essa gente tem medo. Quem puder, entra lá e vote “SIM”, por favor...

http://www.crpsc.org.br

Outra coisa, nem sei se gostam do Jabor nestas bandas, mas o que ele falou e como falou hoje, em nossa defesa, em “Covardes atacam homossexuais corajosos” merece emoção e aplausos. Ouçam aqui.

Obrigado,
Ricardo Aguieiras




Eu é que agradeço a colaboração, Ricardo!
Só lamento que esta notícia tenha que ser dada...
Abração!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E precisa mesmo da PLC 122?


Estava lendo o blog do Don Diego e achei esse texto muito bacana. Vou publicá-lo aqui no meu blog tb.

É um texto do colunista João Ximenes Braga no Caderno ELA do jornal O Globo deste sábado, 27 de novembro

Luz Fria


Luz branca não favorece ninguém, não há pele que resista a tamanho choque de realidade. Sobretudo se a lâmpada for quebrada em seu rosto, de repente, do nada.

Sim, estou falando de uma das vítimas dos quatro jovens que saíram da balada — só assim me digno a usar esta palavra — às seis da manhã e entraram num dia de fúria homofóbica em plena Avenida Paulista.

O mais curioso deste episódio foi a posição do advogado de um dos beócios. Quando os pimpolhos foram soltos (da primeira vez), o doutor Orlando Machado disse que não houve um ataque homofóbico.

— Eles atacaram e foram atacados, foi uma questão de uma briga (sic), não uma agressão. O motivo da briga foi uma ameaça ou uma agressão ou uma paquera que um deles teria recebido — disse Machado na TV.

Como é que é? Uma agressão OU uma paquera? Devo ter entendido errado. Voltei o vídeo várias vezes no youtube, a conjunção que ele usava era essa mesma: “Ou”.

No fundo, ele queria dizer que tanto faz. Vindo de um gay, uma paquera é o mesmo que uma agressão, logo, justifica a lâmpada quebrada na cara.

Não há por que se espantar com a declaração. O cara é advogado, e todos sabemos que até o pior dos criminosos tem direito a defesa.

Mas eis que, dias depois, surge na TV o vídeo gravado por uma câmera de segurança mostrando que a vítima sequer havia percebido a existência de seu agressor até levar a lâmpada na cara.

Diante disso, o doutor Orlando se retirou do caso.

Não havia mais a suposta cantada. Era como se, num caso de estupro, de repente descobrissem que a vítima estava de calças compridas largas e paletó, e não de minissaia e top.

Não havia mais como culpar a vítima.

Poucas horas depois da lâmpada estourar no jovem paulistano, um carioca que celebrava a Parada Gay entre amigos foi agredido, ofendido e, por fim, baleado por um sargento do Exército no Arpoador.

O rapaz fez a denúncia. Qual a primeira atitude do Comando Militar do Leste?

Divulgar uma nota negando a mais remota hipótese de o crime ter partido de um militar.

Não mando em ninguém além de mim mesmo, mas fico me imaginando se tivesse poder e responsabilidade sobre outras criaturas.

Digamos, se fosse dono de um galinheiro. O vizinho vem me dizer que uma de minhas galinhas ciscou no terreiro dele, qual seria minha atitude?

Vou pedir pra ele esperar, vou ao galinheiro checar se as penosas estão todas no poleiro, bater um papo com elas, me certificar de que nenhuma delas andou pulando a cerca de noite.

O CML não se dá a esse trabalho. Nega antes de contar as galinhas.

Alguns dias depois, a vítima declarou em depoimento que o agressor usava uma farda azul.

O exército se apressou em soltar uma nota dizendo que ninguém usava farda azul e a imprensa on-line logo embarcou na onda:

“Exército desmente”,

“Exército contraria depoimento”.

O rapaz levou um tiro à noite, caramba! Mas antes de presumir que a vítima possa ter se confundido, preferiram tentar desacreditar o depoimento.

Quando finalmente o sargento foi preso e, confrontado com as provas, confessou o crime, o CML pediu desculpas?

Não, mas a subprefeitura da Zona Sul mandou fechar o parque Garota de Ipanema à noite porque ele vinha sendo usado “para a prática de atos libidinosos”.

Se atos libidinosos são praticados no parque e isso incomoda os moradores, que se passe o cadeado.

Mas o senso de oportunidade não poderia ter sido pior. Uma mulher é estuprada num estacionamento? Fecha o estacionamento.

O moleque levou um tiro e sofreu diversas agressões por parte de beócios fardados cujo soldo é pago pelos impostos dos pais dele.

E o grand finale é o parque ser fechado por “atos libidinosos”. Se isso não é culpar a vítima, eu não sei o que é.

Ressalva seja feita, em ambos os episódios a polícia se saiu bem tanto na condução da investigação quanto na lida com as vítimas.

Mas os ataques aconteceram na avenida Paulista e no Arpoador. E se tivesse acontecido igual, na periferia ou na favela?

Um dos argumentos mais comuns entre os opositores do PLC122 é que a dita lei que criminaliza a homofobia transformaria os gays em seres com proteção especial.

Na verdade, esse projeto de lei pouco faz além de equiparar a discriminação
por orientação sexual a outras — digamos — divisões humanas já amparadas por lei tais como gênero, procedência nacional e religião.

E na prática, esses dois episódios de violência provaram que há necessidade, sim, de proteção especial.

Quando um advogado abandona o caso porque não pode mais culpar a vítima, nada mais precisa ser dito sobre como o sistema vê a violência homofóbica.

E-mail para esta coluna:
jxbraga@gmail.com

sábado, 28 de agosto de 2010

Sobre as migalhas que nos alimentam




Bom, no post anterior eu falei do ex-Power Ranger azul assumindo sua homossexualidade publicamente. Agora, acabo de ler aqui que o ministro do Sistema Penitenciário do Reino Unido, Crispin Blunt, também entrou pra lista da irmandade...

Além dessa notícia, teve também a que o Don diego repassou em seu blog sobre composição de renda para crédito de casais homossexuais. Como ele disse, conseguimos mais uma!

É muito bom pensar que, mesmo que seja aos poucos, as boas notícias estão chegando. São pessoas que ajudam com a visibilidade dos gays, o mercado consumidor mostrando que começa a nos respeitar...

Porém, esse raciocínio me lembra das minhas aulas de história em que um professor me falou que a escravidão dos negros africanos só chegou ao fim porque os brancos precisavam expandir o mercado consumidor. E, como um escravo não compra, era melhor que os negros também recebessem um salário para poder gastá-lo e ampliar o mercado consideravelmente. É uma história triste, mas faz-me pensar que mesmo de interesses menos nobres, podem nascer boas coisas! Isso acontece um pouco hoje com a causa gay: o mercado e a mídia, interessados em mais lucro, estão nos auxiliando a conquistar direitos.

Mas isso é suficiente para uma mudança efetiva? A longo prazo, talvez. Utilizando a mesma comparação entre racismo e homofobia, podemos pensar que o racismo diminuiu e muito ao longo desses 122 anos da abolição no Brasil. Mas ainda existe. Está ainda em declínio ou estacionou? Quero acreditar que sua tendência é desaparecer. E que processo semelhante talvez aconteça com a homofobia.

O triste é estimar um prazo semelhante para diminuição efetiva do preconceito. Mais triste ainda é pensar que espero que causas menos dignas nos ajudem. Que fico feliz com notícias parcas assim. Que fico feliz com migalhas.

Toda ajuda é bem-vinda, mesmo vinda das mãos do diabo. Reintero, antes que as críticas chovam, que ajuda é sempre bem-vinda sim, mas não a qualquer preço! As migalhas me servem de alimento para a esperança, para que eu não pire de vez. Apesar de me reconhecer miserável, quando ajo assim, feliz com migalhas, prefiro ignorar essa minha condição e manter minha sanidade.

E ouso até a propor um brinde (com suco, por favor, que eu não bebo nada alcoólico). Um brinde às migalhas. A lá Deus lhe pague!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

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