terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o golpe atinge na própria pele

Faz um tempo, recebi pelo Facebook um pedido de doação de sangue. Como a Anvisa não quer sangue de viado sendo doado (a não ser que seja viado puro e casto), comentei que não poderia doar, mas que divulgaria o pedido para meus amigos.

Eu penso que uma estratégia bacana para combater o preconceito é mostrar que ele não atinge somente quem é discriminado, mas também a quem, em teoria, nada teria a ver com a história. Apesar de que, na maioria das vezes, as pessoas resolvem apenas os "efeitos colaterais" e não o preconceito em si, eu creio que, em geral, situações em que o outro "sente na pele" os prejuízos da discriminação são mais frutíferas que outras em que a pessoa tem que fazer o (nem sempre fácil) exercício de se pôr no lugar do outro.

Outra oportunidade desse tipo é quando alguém diz que, se for aprovada uma lei que tipifique o crime de homofobia, vai ter muito gay se aproveitando disso pra dizer que tudo é homofobia e tirar vantagem da situação. O melhor argumento é que, quando a lei define o que é ou não é um crime de homofobia (assim como ocorre na lei que define o que é ou não é um crime de racismo), a própria lei já reduz a discussão do que é e do que não é homofobia e coibe, portanto, muitos dos abusos que acontecem quando pessoas processam as outras baseadas num crime (genérico) de discriminação e que, exatamente por ser genérico, está sujeito à interpretação do juiz em sua decisão.

Além disso, é preciso mostrar que não são só os cidadãos LGBTs que são vítimas da homofobia. Por isso, minha dica é a foto abaixo, que deveria ser divulgada exaustivamente junto com os links para cada notícia por ela ilustrada:


PS: A saber, os links de referência sobre os crimes anunciados nesta imagem são:

Notícia no G1 sobre os gêmeos José Leonardo e José Leandro Silva

Notícia na folha de São Paulo sobre Marx Nunes Xavier

Notícia no G1 sobre Bruno Chiarioni Thomé


14 comentários:

  1. Parabéns pela contextualização ... perfeita ... comentei isto sábado com o Elian ... "Quando o golpe atinge na própria pele" ...

    bjão

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  2. Gostei do texto CC e inclusive da reportagem sobre a doação de sangue. Mas estou tendendo a concordar que; se a Anvisa confia na experimentação do sangue, esse tipo de proibição é absurdo. Deveriam constar nessa lista uma infinidade de outras características proibitivas.
    Não... definitivamente isso deve ser melhor discutido. Me deixariam morrer então, se o único doador disponível é gay e não positivo? No no no... não concordo.
    Beijos CC

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  3. eu divulguei a imagem. e vamos todos compartilha-la.

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  4. é o seguinte, eu vou doar sangue e minto! tá cheio de cara com sangue de viado!
    mesmo vc mentindo eles fazem todos os testes, e vc falando a verdade também! eu sei que não sou promiscuo, que não vou transmitir nenhuma doença a ninguem!

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    1. Olá, Homossexual e Pai! Seja bem-vindo! Minha casa tava meio abandonada, não repara na poeira não que ainda estou limpando, tá bom? rs

      Olha, mas mentindo a gente não vence o danado do preconceito... E ser promíscuo, mas se protegendo (usando camisinha) também não se corre o risco de transmitir DSTs...

      Abração!

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  5. uma pena essas coisas acontecerem mesmo e cabe a todos divulgarem e ajudarem nessa luta.

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