segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um tiro pela culatra (ou O julgamento moral que revela a falta de moral de quem o faz)




"Esses gays querem respeito, mas eles mesmos não se dão ao respeito". Essa é uma frase odiosa (no sentido de ser cheia de ódio), muito dita por heteros e (o mais triste) por gays, lésbicas, bissexuais e afins que se colocam numa posição superior aos outros "imorais". Porém, se a gente analisa-la, veremos que não existe lógica nela: apenas preconceito.

O primeiro ponto que pode ser dito sobre tal frase é que ela se baseia no pressuposto falso de que os gays não são respeitados porque são imorais. Mas acontece que o gay monogâmico, recatado, trabalhador, estudioso, honesto e "limpinho" é muito mais discriminado que o hetero que trai a esposa descaradamente, que é "malandro" quanto aos estudos e trabalho e que sempre dá um "jeitinho" para "se dar bem". O primeiro continua sendo "o viadinho", enquanto o segundo é o "garanhão" e "esperto". A pergunta é: por que eu devo ser "perfeito" para merecer um respeito (e que, mesmo assim, não é garantido que eu o receberei) que o hetero do meu exemplo anterior recebe sem nenhum esforço ou sacrifício? Ao meu ver, a pessoa que exige perfeição (segundo os próprios critérios) para dedicar respeito ao outro obviamente não respeita a ninguém, já que ninguém se encaixará no ideal de perfeição dela.

O segundo ponto é que essa frase se baseia num julgamento moral que, como tal, não pode ser mais subjetivo. O que é imoral para o outro pode não ser para mim. Com quantas pessoas é preciso que o outro se relacione para ele cruzar a fronteira do "aceitável" para o "imoral" ou "promiscuo", por exemplo? Aliás, qual é o real problema em ser promiscuo? Acho que aqui cabe um recadinho especial para os cidadãos LGBT que dizem frases assim: pra muita gente por aí, só o fato de você não ser heterossexual já é algo imoral. Então, se você acha que é preciso não ser imoral pra receber respeito, você só tem uma opção: deixar de ser alguém que não é heterossexual (ou seja, se matar).

O último ponto que aqui discutirei é que o respeito não é uma moeda de troca. Fazer algo em troca de respeito é uma grande ilusão, já que nesta relação não há respeito de fato e sim manutenção de interesses. Basta a pessoa deixar de agradar o outro para que o desrespeito volte à cena. Querer ser um gay comportado para ser digno de receber o respeito dos heterossexuais é, além de se sujeitar a não receber o verdadeiro respeito, é se colocar numa posição subordinada de quem pede permissão para ser o que se é, fazendo de tudo para agradar o outro.

Bom, gente, é isso. Só peço um pequeno favor: não venha distorcer o que eu afirmei, dizendo que este texto prega que todos devem ser promiscuos e/ou imorais. Sou da filosofia de que, desde que o que se faça não seja crime e nem vá prejudicar a ninguém, é melhor que se deixe que cada um haja conforme escolher. É mais simples e saudável pra todo mundo.

16 comentários:

  1. Uala! Parabéns! Quantas e quantas pessoas, sejam héteros ou gays precisam ouvir, refletir e se conscientizarem disto ... respeito é algo q deve ser dado a todos pelo q ele é enquanto SER ... o resto é lorota, preconceito e instinto de dominação ... como se estes imbecis q se enquadram neste grupo fossem alguém dotado de alguma dignidade ... olhem para os seus próprios umbigos e deixem os dos outros em paz ....

    "Desde que o que se faça não seja crime e nem vá prejudicar a ninguém, é melhor que se deixe que cada um haja conforme escolher. É mais simples e saudável pra todo mundo."

    bjão

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  2. Pra mim, respeitar é não julgar. O que combina com o seu pensamento citado pelo Bratz, acima. E mesmo no julgamento existe sempre a prerrogativa do julgado.

    Abraços.

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    1. Lucas, vc é demais! Verdade o que vc disse!

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  3. Sua última frase sintetizou o texto CC,...e concordo, "respeito, amor, solidariedade,Juada de tipo nenhum" deve ser moeda de troca. Quando fazemos/damos algo, alguma coisa pra outrem, isso deve ser feito de livre vontade... e não a espera de reciprocidade.
    Beijos querido

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    1. Eita! que eu fico sem jeito com esse elogio vindo de vc!

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  5. concordo com você. mas infelizmente o mundo não. está tudo errado e ainda temos que viver (ou sobreviver) com isto?

    beijos queridão

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    1. Serginho, concordo com vc que o mundo está longe de pensar como me expressei aqui, mas a música deste post tem versos que combinam com o que eu penso. Escute e veja se não faz sentido!

      Beijos!

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  6. infelizmente as pessoas são ferinas como dardos e adoram julgar e generalizar td =/

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    1. Acho que vc disse algo muito sábio agora...

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  7. acho que o ponto é o 'padrão hétero' que é muito forte ainda. já reparou como alguns gays ficam felizes e orgulhosos quando alguém diz que eles estão 'parecendo hétero/homenzinho'?

    precisa realmente disso? cadê a individualidade?

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  8. Adorei seu texto, rapaz. A gente iria horas falando disso. Tô com um post parado que também fala um pouco disso de gay ter preconceito contra gay, baseando-se em parâmetros bem discutíveis (nao o meu post, o preconceito deles, rs). Ainda não achei que tá bom pra publicar, mas uma hora sai.

    Quanto ao respeito, você disse muito bem, não é moeda de troca. Eu acredito que nós vivemos numa época em que se perdeu o respeito de modo geral. Eu compreendo que deve-se respeito às pessoas pelo fato de que seria interessante respeitar todo mundo. Eu não sei, mas eu sempre me pego pensando que um grande problema é que não se tem respeito por ninguém nem mais nada.

    Enfim, também sobre isso iríamos longe.

    Há tempos o Bratz tá querendo marcar alguma coisa pra gente encontrar, vamos ver se esses blogueiros de BH se reúnem finalmente.

    Um abraço.

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    1. Bom, seja bem-vindo, rapaz! Fique a vontade e não repara a bagunça da casa...

      Olha, se o negócio é ir longe conversando, eu sou a pessoa certa. Falo demais, demais...

      Sobre o encontro eu até achei que vc não quisesse saber do povo de BH... rs. Animo demais, é só marcar!

      Um abraço!

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