sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A ilusão de se ter escolha

Outro dia, conversando com o Foxx, eu contava para ele sobre uma das minhas principais angústias: a falta de dinheiro somada à correria contra o tempo.

Eu não almejo dinheiro para ficar rico, ou para ter coisas supérfulas. Eu gostaria de ter dinheiro para poder adotar e criar meus filhos. Meu medo maior nem é faltar dinheiro pra criação dos meus rebentos (porque pra isso dá-se um jeito), mas sim o fato de, numa análise financeira para a adoção, ter o pedido negado (porque pra um casal gay perder o pedido de adoção pra um casal hetero por precoceito - com o aval de uma alegação de falta de "condições financeiras"- não seria uma situação das mais impossíveis de acontecer). Dinheiro não traz felicidade, eu sei. Mas facilitaria tanta coisa em minha vida...

E à falta dele soma-se o fato de que o homem que eu estou casado é mais velho que eu. E, se eu demorar muito a adotar, corre o risco dele não querer mais me acompanhar nessa ideia por achar que não tem mais tanta energia/disposição pra cuidar de uma criança. E pode acontecer ainda que eu acabe numa situação em que eu não sei se daria conta: criar sozinho filhos e ainda de quebra cuidar do Marido...

O Foxx me falou que parte dessa situação era "culpa das minhas escolhas profissionais e amorosas" e isso me fez refletir sobre o que é realmente escolha.

Ter escolhas para mim é ir a uma loja, encontrar camisas do meu tamanho de cores variadas e poder escolher qual é a que mais me agrada. É ir a um restaurante self-service com muita variedade e decidir, dentre opções igualmente atraentes, quais as que eu colocarei em meu prato.

Bem diferente de ter que optar por exercer uma profissão que me renderia muito mais dinheiro mas me faria infeliz ou aquela que me realizaria profissionalmente e me deixa com o orçamento apertado no fim do mês. Diferente também de ter que decidir se eu realizo um grande sonho ou se vivo um relacionamento que me faz extremamente feliz. Isso para mim é não ser masoquista, decidindo entre o menor dos sofrimentos. Não há escolha de verdade, já que a minha sanidade me obriga a tomar apenas uma determinada decisão...

18 comentários:

  1. Meu anjo seja feliz. Com dinheiro ou sem dinheiro, sua felicidade ao lado de quem te ama e a quem vc ama é prioridade. Você é um privilegiado por viver um relacionamento baseado em amor.
    Aproveite.
    Beijos CC NN

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    1. Sim, meu amor! Eu estou aproveitando!

      Beijos!

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  2. Nossa, achei bem complicado tudo isso. Escrevi um comentário enorme, mas cheio de coisas minhas e preferi apagar. Aquela imagem diz tudo. Agora sobre adotar, se você acha que da um jeito, vc e o marido deveriam tentar e logo já que vc tem tanto medo!!! Se não der certo agora, quem sabe mais tarde. Tente.

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    1. Agora ainda não dá: tem que resolver umas coisas antes a respeito de dívidas e estrutura da casa. Não dá pra tentar adotar os filhos sem ter condições mínimas...

      Abraços!

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  3. aquele famoso dizer: "trabalhamos em empregos que não gostamos para comprar coisas que não precisamos" se não era isso era algo parecido.
    Adorei esse cartaz.

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    1. Hummmm... Só que do que eu quero comprar, eu preciso! rs

      Um abraço!

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  4. tão legal ver meu nome citado... *m*
    mas é, vc tem razão, esta situação não é escolha... é chantagem.

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  5. Como Margot disse acima... Sendo feliz é o que importa! Caso contrário, procure um concurso público, tem sido a mina de ouro nessa época.
    Um grande abraço.

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    1. Concurso público? De novo? rs

      Pode deixar, que estou tentando ser feliz!

      Um grande abraço!

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  6. Vc já sabe minha opinião sobre crianças. Mas a opção é sua...

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  7. Poxa, adorei suas reflexões. E concordo contigo: Não há escolhas. A gente faz o que pode, o que der, o que o ambiente nos permite. No seu caso, você vive uma relação com amor... Olha, isso já é algo bem importante e de peso! E entendo também a vontade de ter filhos. Acredito que quando as coisas devem ser, até o vento sopra a favor...

    Abração!

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    1. Freddie Butterman, seja bem-vindo! O café já está saindo. Aceita?

      Obrigado pelo apoio!

      Abração!

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  8. É... Eu poderia levar horas falando sobre escolhas aqui... A amorosa, por exemplo... Não acho que decidir por quem se apaixona seja de fato uma escolha... Mas resolver se vai dar vazão a esse sentimento ou não acaba sendo uma escolha sim... Todavia eu, assim como vc, sempre optei por me relacionar com quem eu me envolvia mesmo, em alguns casos contra muitas probabilidades de sucesso....

    Na época do meu ex as pessoas sempre me perguntavam: Mas pk vc resolveu namorar um cara de São Paulo ??? E eu sempre respondi: Eu n resolvi me apaixonar por um cara de São Paulo, eu me apaixonei por um homem que por um a caso era de São Paulo.. Ele podia morar em Tóquio ou na esquina da minha casa, mas vivia em São Paulo... Nunca procurei namorado, me apaixonei pelas pessoas em função das circunstancias e por esse motivo não tinha essa do melhor candidato e até que tive relações duradouras dessa maneira....

    E acho que talvez seja pk sempre banquei as minhas escolhas... Se optei por me manter numa relação a distancia pelo cara por quem me apaixonei (e faço questão de enfatizar que a escolha está em manter e não no fato de ter se apaixonado) preciso bancar o ônus dessa distancia... Lembro uma época que tive um namorico com um rapaz que ajudava o pai dele a trabalhar pk o cara era dono de uma padaria, e as vezes ele n aguentava me esperar chegar da faculdade, acabava dormindo e no outro dia ficava todo sem graça... Um dia conversei com ele dizendo que não precisava ter vergonha pk eu admirava tanto a luta dele, sabe??? O quanto ele era trabalhador, corria atrás das coisas que queria, ajudava sua família.,.. Se curtia tanto isso como que poderia punir o seu cansaço??? Mais do que não punir eu tb admirava o seu cansaço...

    Aprendi muito sobre escolhas com minhas tias, as vezes passando numa olhada rápida fica uma sensação de que elas são passivas ou qualquer coisa assim.. Pessoas que andam com o barco de acordo com o movimento do vento... Ledo engano, são tudo menos passivas.. O que acontece é que a vida tem das suas façanhas e elas sabem disso e estão prontas pra isso... Daí que mesmo tendo suas vidas e obrigações no momento em que um pai adoece e precisa de cuidados elas se adaptam e cuidam... E eu acho que é por ai... Hj eu vivo da maneira que vivo.. Se amanha acontece alguma coisa e eu preciso ter minha mãe perto ou minha sogra não adianta ficar ruminando um sofrimento e amaldiçoando a vida... Vou fazer o que tem de ser feito e tentar viver da melhor maneira possível dentro disso... A grande sacada não está no qto se perde, mas como se vira o que fica...

    Por tanto se minha vocação é por um trabalho que não me traz tanto retorno financeiro e se meu marido é um homem bem mais velho que eu, vou curtir as delicias de ambas as opções e saber me adaptar aos ônus disso tudo... No meio disso tudo de repente algumas coisas bem legais ficam pra trás.. Como a estabilidade ou o sonho de um filho... É o preço que se paga por fazer o que se quer ao lado do homem que se ama... E quer saber???? Pra mim realmente vale o investimento...

    ps. Não disse que poderia levar horas falando sobre isso???

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    1. É gato, adoro comentários longos, cheios de substância...

      E, sim, concordo contigo que tudo tem seu preço e que a gente tem que se virar com o que pode. Só não acho que dá pra chamar de escolha, quando não se tem muita opção, na verdade.

      Não sei se deixei claro isso no texto, mas eu acho que o Maridão seria um bom pai para os meus filhos. Tirando a minha ex (que já não rola mais de tentar com ela por "n" motivos, dentre o óbvio dela ser "ex" e não atual), o Maridão é a única pessoa com quem pensei em ter filhos. Se ele não estivesse na parada, talvez eu nem pensaria nos filhos...

      O que me angustia é essa coisa de ter o mais difícil numa primeira análise (alguém que vc considere como um bom pai pros seus filhos), mas faltar o "mais fácil"... Entende?

      Beijos!

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  9. Não gosto muito de falar sobre as escolhas da vida, mas hoje tô leve. pode ser que eu demore mais alguns anos até essa permissão de falar sobre volte. A grande escolha da minha vida começou logo no início, quando ao mesmo tempo que fui pai muito novo( 16 anos) eu descobria que também era gay, numa época em que não se falava de bullying, nem de inclusão, comecei a pensar no que meu filho haveria de passar sendo meu filho, filho de um homem gay. Sim naquela época não se falava em inclusão. mas vivi no mundo gay por anos, tive minhas experiências e me saciei do mundo gls. Jamais quero que meu filho passe por tudo que passei, foi anos pensando, arquitetando como seria minha vida na fase mais crítica que meu filho iria passar "adolescência", resolvi estar nos padrões ditados pela sociedade , para que "nós" fossemos aceitos, ( ao menos até ele ter suas próprias opiniões, e entender que posso ser gay e homem, que ele poderá contar comigo sempre, que o caráter é o que escreve a historia de uma pessoa). E minha maior realização pessoal é vê-lo feliz, nem que pra isso eu tenha que abdicar de mim por um tempo.

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    1. Complicado isso, FER.... Muito complicado... Nem sei o que dizer...

      Um beijo pra vc!

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