quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vivo e desenterrado

Eu conheci a Amiga Lua através de um ex-namorado dela. O cara era meu amigo, mas eu tinha muito mais afinidade com ela que com ele. Ela foi uma das poucas da turma que ficou desde o início ao meu lado, quando fiz meu outing e contei para as pessoas que eu estava namorando o Ex Maluco...

Quando o ex-namorado da Amiga Lua terminou com ela pra ficar noivo de outra, eu fui o único dos amigos em comum que deu apoio para ela.

Quase um ano depois, a vida deu um jeito de nos aproximar e eu e a Amiga Lua começamos a namorar. O namoro teve um contexto muito complicado e acabou terminando porque, dentre outros fatores, havia uma pressão enorme por parte da família dela em não deixar que a filha continuasse a namorar um viado...

Mesmo após o fim do namoro, eu evitava ligar para a Amiga Lua principalmente na casa dela para tentar driblar, além de outros problemas, a possibilidade de que a família dela causasse mais situações constrangedoras para a Amiga Lua se ver obrigada a se afastar de mim.

A mãe dela sempre foi uma das principais opositoras à minha aproximação. Há uns dias, recebi a notícia de que ela faleceu. E a notícia de que, se eu fosse dar meu abraço de carinho e apoio para a Amiga Lua num momento tão delicado quanto a perda de um ente querido, a irmã dela e o resto da família iria brigar comigo em pleno velório...

É engraçado lembrar que essa mesma família gostava de mim, enquanto eu era apenas o amigo viado da Amiga Lua. É triste pensar que, em nome de um preconceito, a Amiga Lua ficou sem poder contar com o carinho de alguém que tanto gosta dela (e que sabe da reciprocidade). É lastimável saber que, mesmo num momento em que as pessoas se vêem obrigadas a reavaliar suas posturas perante a vida, a morte do preconceito se recusa a acontecer e mostra que, mais do que todos nós, é ele quem está mais vivo e com força pra seguir adiante...

12 comentários:

  1. pois é, é o caso da doação de sangue. as pessoas preferem morrer a aceitar doação de sangue de alguém gay.

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    1. Daí a gente vê o tamanho do preconceito...

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  2. Muita preguiça dessas pessoas que se rendem às limitações...

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  3. Triste isso CC. Mas infelizmente é verdade. Vc não pode contacta-la longe da família? penso que ela iria gostar.

    Beijos

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    1. Já fiz, mas foi bem depois, quando o "pior" já tinha passado. Pq na hora mesmo, não dava... Uma pena!

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  4. Nossa, adorei vc. Adoro pessoas abertas para vários relacionamentos, eu também já tive alguns envolvimentos afetivos com mulheres.

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  5. Será que não há um mal-entendido nessa história? Falha de comunicação, sei lá. Não é possível, gente! Sinto muito pela sua amiga Lua. Bom feriado.

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    1. Não tem mal-entendido não. Tempos depois rolou climão por eu ir ao aniversário dela, num bar.... Pode?

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  6. Olha, eu até entendo, as pessoas tem dificuldade de entender esta coisa de bissexual... eu tenho dificuldade de entender... eu nao brigaria, mas diria para minha irma cair fora que ia se ferrar se tivesse namorando um "viado"/bi.

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