quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Esses estranhos da minha família - II (a mãe)

Meados de 2007: Conto para meu pai e minha mãe sobre a minha sexualidade (numa cena que descreverei neste blog em breve). Não sou nada bem aceito...

Janeiro de 2012: Minha mãe me liga (umas duas semanas depois de eu ter pessoalmente dado a ela a notícia que haveria o meu casório com o Maridão) dizendo que estava muito infeliz com a situação. Que não era o que ela havia sonhado para mim (?), que aquilo é contra as leis de Deus e blá, blá, blá... ZZZZZZZZZZ. Falo pra ela que a vida é minha e não dela e que minhas crenças não condenam o que as crenças dela condenam. Ela diz que não adianta conversar comigo e eu digo que ela não conversa: apenas vomita suas "verdades". Ela diz que, então, precisamos nos encontrar pessoalmente e eu marco um dia para conversar. No dia, ela foge de qualquer assunto que causaria conflito e fala somente sobre amenidades.

No dia do meu aniversário e véspera do casório: Minha mãe me liga e sonda com o Maridão (que atendeu o telefone primeiro) e depois comigo se "eu tinha alguma novidade". Respondi que não havia nenhuma novidade "para ela". Ela me responde que do jeito que eu falei, parecia que eu não queria conversar com ela. Respondo que é ela quem não quer conversar comigo. Ela muda de assunto. Conta que meu pai está fazendo um curso para ser cozinheiro. Eu contra-argumento que eu, diferentemente dela, não acredito na velha promessa dele, que vive fazendo cursos e afirmando que vai largar o negócio próprio que só lhe traz problemas e prejuízos. Ela diz que nós devemos ter esperança sempre. Eu respondo que não acredito nas pessoas e que temos que ter cuidado pra não fazer da esperança uma eterna ilusão. Ela diz que eu não posso ser tão amargurado ao ponto de acreditar que ninguém no mundo me ama (?), que todos são vilões (???) e que eu não podia ter tanto ódio do meu coração (?????). Rebato que eu não disse nada daquilo e que disse apenas que eu não alimento esperanças de que as pessoas mudem e que, na maioria dos casos, elas continuam a ser o que são eternamente porque não querem mudar. Minha mãe diz que não podemos perder a fé e que, só o fato de estarmos vivos, nos cria uma dívida moral para com Deus e que, por isso mesmo temos a obrigação moral de ter fé e ser feliz. E arremata que o meu pessimismo só me faz mal. Como última consideração, digo a ela que, ao contrário do que ela pensa, estou sendo bem mais feliz em ser realista e não ficar criando expectativas falsas. E que muito me preocupa que ela tenha esse pensamento de "Alice no País das Maravilhas" de que temos obrigação de ser feliz. Ela me responde que um dia eu lhe darei razão e ela me dirá: "eu te disse!". Eu digo a ela que talvez chegue o dia em que eu não vou dizer nada a ela, mas que ela haveria de pensar no que eu disse. Ela diz que sabe que está com a razão, que Deus está do lado dela e blá, blá, blá... Zzzzzzzz. Começo a responder apenas com monossílabos do tipo "hummmmm", porque aquilo definitivamente não é uma conversa: é um monólogo em que ela "vomita" suas verdades. E isso me dá náuseas.

18 comentários:

  1. A mãe cristã de um filho gay gera sempre essa relação que é um grande Hiato.. Sei lá se Deus existe, mas se existir deve ficar muito puto com isso que fizeram dele!!!

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    1. Gato Van de Kamp, minha mãe e eu sempre tivemos um hiato e nem foi por conflitos entre sexualidade minha/ religião dela...

      Sobre Deus ficar puto, eu acho que, se ele existir, ele deve ficar mesmo...

      Beijos!

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  2. ah como eu entendo sua mãe, mas vc tá parecendo comigo nas respostas, né não?

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    1. Ah, Foxx, entender eu entendo e é isso que me assunta!

      Sobre eu estar parecendo com vc nas minhas respostas, eu juro que não entendi. Vc também não acredita que as pessoas mudam, ao menos que queiram muito? Ou que é melhor ser realista que otimista?

      Beijos!!

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  3. Eu não consigo falar de mães... elas têm prerrogativas que só elas possuem. Somos pedaços arrancados delas... nada entre filhos e mães se estabelece no âmbito da razão.

    Beijão, meu querido... obrigado pelo seu carinho comigo!

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    1. Ah, Cesinha, eu até consigo falar de mães, mas não vai ser umtexto docinho e fofinho e nem curtinho... kkkkkkkkkkkkkk

      E pelo carinho, não tem que agradecer pq faço com gosto e vc me retorna sempre!! ^^

      Beijão, seu lindo!

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  4. Se Deus não quisesse que existissem gays, teria feito o ânus dos homens de maneira quadrada.

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  5. Te mandei mais perguntas pelo fb, vc viu?

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    1. Opa! Vi tem pouco tempo e respondi... Abraços!!

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  6. Mãe cristã?!?!?
    Ainda fabricam isso????
    Genteimmmmmmmmm!
    Mãe é mãe... e sempre merece respeito, pq mesmo de forma torta ela sempre nos ama. Claro que "respeito" não implica em fazer o que ela quer. Melhor forma de respeito é seguri firme naquilo que tu acreditas e se possível - mais adiante - permitir que ela mude de idéia e compreenda que o mundo é como é e não como gostariamos que fosse. É isso ou no final vai ficar só ela e Deus teimando em serem datados.
    Hugzão, meu grande Cara (nada) Comum!

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    1. Quer ficar mais chocado ainda, Fred?? Se eu disser que na casa da minha mãe o povo reza o terço ao menos 3 vezes na semana tá bom pra vc???

      Sobre sua "dica" de respeito, eu tô agindo mais ou menos por aí, mas sinceramente não espero/quero que ela mude de ideia...

      Beijos!!

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  7. Pode parecer idiota e horrível o que vou dizer. Mas ainda preferia que minha mãe fizesse o que a sua faz , do que o eterno silêncio da minha. Ela age de forma totalmente indiferente e isso me chateia muito. Muitas caixas de lencinhos Kleenex foram gastos em horas incontáveis de terapia por conta disso. Enfim, melhor eu não ficar escrevendo sobre isso senão fico deprê. Bjos e super entendo você. Robson / SJCampos.

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    1. Robson, minha mãe faz um eterno silêncio tb. Toda essa conversa foi fruto de muita pressão que eu fiz. No restante do tempo, ela desconversa, finge não ouvir. Teve uma vez que ela inventou que tinha uma panela no fogo e, literalmente saiu correndo. Eu fui atrás dela e ela passou direito da cozinha e foi lá para o fundo do quintal...

      Whatever...

      Beijos e "tamo junto"!!

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  8. Gatão (ou seria melhor Leãozão?), que saudade!
    Então, sabe q me pareceu?
    1. Sua mãe te ama muito, uma coisa quase obsessiva no sentido de querer desenhar o q vc tem q fazer/ser. Como dizem: tudo em excesso é fel.
    2. Vc me fez refletir sobre minha mãe e o medo q tenho de contar pra ela sobre minha sexualidade...

    Eu acho q vc tá certo dos limites bem claros q vc demarca pra ela.
    E sabe o q é o melhor e q me faz te invejar IMENSAMENTE: é q vc tá preocupado com a sua felicidade.
    Isso não é egoismo ou nada do tipo.

    Isso é fantástico.
    Um bjão e feliz pelas notícias do casório.

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    1. Gatão é o Gato Van de Kamp! Gosto do Leãozão! rs

      Saudades tb!!

      E sim: esse amor da minha mãe é doentio. E, quando eu disse pra vc que contar para a família pode não trazer a reação que a gente espera, eu não quis dizer que se deve viver ocultando isso para sempre. Eu quis dizer que cada um deve analisar se vale a pena ou não, pensando nas possíveis consequências, e então tomar a decisão.

      Agora sobre estar preocupado com minha felicidade, se eu não fizer, quem vai fazer isso por mim?

      Beijos e obrigado!

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  9. Eu já me identifico com as mães de cara...então se eu fosse a tua, estaria tudo bem ouvir um monte de malcriações do meu filho (mesmo que ele tivesse razão), mas a relação mãe e filho ultrapassa os limites da razão, então - com todas as brigas, omissões e desentendimentos - um beijo e um abraço bem apertado resolveriam tudo mesmo que nada estivesse resolvido.

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    1. Mulher Asterisco, seja bem-vinda por aqui! Fico honrado mesmo pela sua visita. Vou até trazer umas almofadas pra vc ficar mais confortável no sofá...

      Olha, eu até entendo vc, como mãe, se sentir solidária com a minha. Mas acho que o grande problema dela é exatamente esse: achar que tudo se resolve com um abraço e um beijo e ignorar o restante das coisas. Quando eu "converso" com ela e ela não tem o que me responder, vem logo uma sequencia de chantagem emocional que eu detesto e, na sequência, ela me pede um beijo e um abraço. Pra mim, isso já deu!

      Se ela se dispusesse a ouvir minhas "malcriações", já seria um grande passo!!

      Grande beijo!!

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